Conheça história: Palácio Saturnino de Brito em Santos

São meia dúzia de bandeirantes armados escravizando uma fileira de índios rumo à Serra do Mar, rodeados por abacaxis, bananas e demais frutas tropicais. A imagem, ambientada no século 17, ganha vida no vitral assinado pelo alemão Conrado Sorgenicht Filho. Mas a casa que acolhe a obra, o Palácio Saturnino de Brito, no Centro Histórico de Santos, foi construída em um passado mais recente, no final do século 19.

As iniciais R.S. na fachadado equipamento público revelam que o local, hoje Unidade de Negócio da Sabesp, serve desde sua fundação como uma Repartição do Saneamento, sediando o escritório do patrono da Engenharia Sanitarista, Francisco Saturnino Rodrigues de Brito. Nascido em Campos dos Goytacazes/RJ (1864) e falecido em Pelotas/RS(1929), Saturnino – na época, mais conhecido por Rodrigues –, desenvolveu seu projeto mais ambicioso em Santos: cortou o município, inicialmente, em seis canais.

Alguns móveis da sala de Saturnino foram levados ao salão principal do palácio, onde é permitida a visitação. Estão expostos os esboços, os mapas, a prancheta de madeira e a escrivaninha do engenheiro. Por ser cheia de gavetas, o guia turístico Pedro Luiz da Silva Barbosa brinca: “As crianças imaginam que ele guardava pen drive ou computador nos compartimentos em pleno ano de 1905”.

Casa do Saneamento

Saturnino trabalhou no palácio por 14 anos, tempo suficiente para sanar as epidemias que mataram metade da população da Cidade. Além de projetar os primeiros canais de drenagem de águas pluviais do Porto à Orla (atualmente existem 19 canais), espalhou estações de tratamento por Santos e criou uma rede integrada de esgotos domiciliares pela região, construindo uma linha de tubulação por debaixo da Ponte Pênsil, em São Vicente, e escoando em Praia Grande. Na época, esse município era bem pouco habitado.

Para contextualizar a larga visão de Saturnino, as obras em cada um dos canais demoraram cerca de dois anos, já que a escavação era feita por pá. São construções inspiradas em Veneza, com direito a pontes de concreto e, nos primeiros anos, propícias à navegação. Ilustrando esse capítulo da História de Santos, muitas fotos e outros objetos criados há cerca de 100 anos estão dispostos no prédio, como hidrômetros, tacômetros, teodoritos e até um regulador manual das comportas dos canais, hoje em desuso.

De 1.050 metros quadrados, o palácio também apresenta a história da rede de abastecimento água. Se antes as pessoas bebiam a água das bicas e das fontes, os munícipes do início do século passaram a ter água encanada em sua própria casa, a partir da primeira estação de tratamento, pertencente à City of Santos. Mas não é só de passado que vive o prédio: um dos salões aponta ao futuro da Baixada Santista, ao expor a segunda fase do Programa Onda Limpa, criado em 2010. O palácio fica na Avenida São Francisco, 128, Centro, aberta de terça-feira a domingo, das 11 às 17 horas. Telefone: 3201-5000.

*Lincoln Spada

 

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