#PraçaDosArtistas: Coletivos mobilizam audiências; SSP deve apurar censura ao teatro de rua

Por Lincoln Spada

Diante da repercussão da intervenção da Polícia Militar ao teatro de rua na Praça dos Andradas, gestores públicos já se manifestaram à imprensa a garantia da liberdade de expressão. Por sua vez, o movimento artístico cresce na pauta em comum, mobilizando-se em agenda de reuniões contra a censura, junto ao Legislativo.

> Entenda o contexto
> Leia a repercussão entre políticos

Ocorreu neste domingo (dia 30) o episódio em que viaturas da PM com apoio da Guarda Municipal pararam a peça ‘Blitz – O Império que nunca dorme’, sátira à violência policial da Trupe Olho da Rua, algemando o diretor teatral e conselheiro municipal de cultura, Caio Martinez Pacheco. Ele só foi liberado do 1º D.P. após mais de quatro horas, que ainda apreendeu material cênico e celular de um espectador.

Palco predileto da classe artística, a Praça dos Andradas abriga o Teatro Guarany, a Cadeia Velha e a Vila do Teatro e, com mais frequência há um ano, recebe no espaço público festas e performances a céu aberto. Mais recentemente, já havia tentativa da PM e Guarda em barrar as atividades culturais, mas por outras razões. De acordo com UOL, a Polícia Civil diz que o ‘tom da peça’ foi o estopim para a intervenção neste final de semana.

>> Dia 31: Artistas da cidade percorreram à Câmara de Vereadores de Santos com informes contextualizando o fato. À tarde, o Sindicato dos Jornalistas da Baixada Santista realizou uma coletiva de imprensa com a trupe, onde o vereador Evaldo Stanislau (Rede) manifestou apoio. À noite, uma reunião interna dos grupos da Vila do Teatro (sede da Trupe) avaliava os desdobramentos da repercussão repentina.

>>Dia 1º: Em coletiva de imprensa na capital, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou que não gostou . Em entrevista ao Diário do Litoral, o secretário de Segurança do Estado, Mágino Barbosa confirmou: “Estamos apurando o que realmente aconteceu. Vamos avaliar se a peça justificou a atitude drástica dos policiais, se houve excesso. É muito cedo para tirarmos qualquer conclusão”.

>> Dia 2: Pelas redes sociais, coletivos de ocupação cultural da Praça dos Andradas, em solidariedade à Trupe Olho da Rua, combinam uma roda de conversa com movimentos sociais e demais produtores culturais, artistas e apoiadores com o tema ‘Pelo direito à cidade e à liberdade de expressão’. A ação desta quarta-feira terá início às 20 horas.

>> Dia 3: A Rede Brasileira de Teatro de Rua mediou com deputados estaduais o uso da palavra sobre a intervenção contra a trupe, em sessão às 14 horas, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Além da Trupe Olho da Rua, gupos que compõem o movimento também estarão presentes na reunião. Há pretensão de que o fato seja discutido por lá na Comissão de Direitos Humanos.

>> Dia 7: O vereador Evaldo já divulgou à imprensa que, abrirá a sessão apresentando o caso de censura policial. O Movimento Teatral da Baixada Santista já está se organizando para comparecer na Câmara de Vereadores, às 18 horas desta segunda-feira. O político enviará ofícios às autoridades e, provavelmente, o debate continue numa audiência específica sobre o assunto.

>> Dia 21: No Museu da Imagem do Som de Santos, às 18h30, o episódio resultará em um relatório apresentado no Conselho de Cultura de Santos. Em nota de repúdio à censura, a presidente do órgão, Jam Pawlak, já anunciou esta pauta, que deve contar com a participação do secretário de Cultura, Fábio Nunes.

Prefeitura, MP e PM

Por sua vez, a Prefeitura afirma que não foi a responsável pela intervenção policial, e que incentiva as manifestações artísticas da Cidade. O decreto que regulamenta quaisquer eventos em espaços públicos deverá ser atualizado junto à comunidade, para dar maior respaldo e segurança às expressões culturais, principalmente na Praça dos Andradas.

A Secretaria da Cultura já divulgou que tem reuniões internas da Prefeitura sobre como garantir a segurança dos eventos artísticos. Também, que está em diálogo com a Polícia Militar e a trupe para uma futura reunião. Artistas citaram à imprensa que podem pedir o apoio do Ministério Público no que diz respeito a verificar se houve excesso da PM contra a liberdade de expressão.

Em entrevista ao G1 Santos, o ator Caio Martinez Pacheco afirmou que tem a vontade de se apresentar para agentes da Polícia Militar dentro do batalhão, que fica localizado no bairro Aparecida, em Santos. “Eu gostaria muito era apresentar essa peça dentro do 6º Batalhão. Gostaria muito, muito mesmo. Estamos dispostos a fazer isso. Queremos dialogar, fazer uma audiência pública. Queremos que essas coisas não voltem a acontecer”.

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