#PraçaDosArtistas: Após resistência do Presidente da Câmara, artista de rua pode falar na tribuna cidadã; veja vídeo

Por Lincoln Spada

Vereador desde a ditadura militar, Manoel Constantino (PSDB) protagonizou como presidente do Legislativo uma proibição inicial de fala a um munícipe na última segunda-feira (dia 7). Entre discursos há 34 anos na Câmara de Vereadores, ele suspendeu a sessão quando o conselheiro municipal de cultura e diretor teatral Caio Martinez Pacheco pediu para dar sua versão sobre o caso de intervenção da PM contra artistas de rua na cidade, à época, levando-o algemado ao 1º DP.

> Entenda o contexto
> Leia a repercussão entre políticos

A solicitação foi negada por duas razões. A primeira é de que o uso da tribuna aos cidadãos seria apenas para pessoas jurídicas. E não tinha CNPJ o ator várias vezes citado antes por vereadores da própria Casa, acompanhado de cerca de 50 membros de movimentos culturais e sociais (como as Mães de Maio), e da própria presidente do Conselho de Cultura, Jam Pawlak. “Deixa ele falar”, ecoaram diferentes segmentos e vertentes artísticas da cidade.

Mais explícita, uma causa foi quando o chefe do Legislativo antecipou um julgamento público contra o espetáculo ‘Blitz – O Império que nunca dorme’, da Trupe Olho da Rua. “Eu não concordo. Eles estão achincalhando toda a nação. Eu não concordo”, em referência à uma suspeita de desrespeito aos símbolos nacionais, em apuração pela Polícia Militar e Ministério Público.

Intervenção da PM: um horror

O parlamentar que jamais assistiu ao teatro, não foi o único que se arriscou como crítico teatral. Ex-PM, Sérgio Santana (PR) considerou a peça como “chacota” e aproveitou a palavra para dar uma versão de que as viaturas foram acionadas pela população pelo desrespeito às bandeiras – relato não citado no B.O., e já refutado por policiais civis e pela própria ouvidoria da PM. Fez alusão à posição do deputado estadual Coronel Telhada (PSDB), mas não condenou se houve ou não abuso por parte dos agentes públicos na intervenção.

Recentemente homenageando o Tescom, o vereador Marcelo Del Bosco (PPS) defendeu os artistas ao se posicionar contra as acusações do deputado Telhada. “Um horror”, definiu sobre a ação da PM. do fatídico domingo Próximo aos movimentos sociais, Evaldo Stanislau (Rede) destacou que a intervenção policial remete à censura e um desrespeito à liberdade de expressão artística. Em seguida, requereu informações à Prefeitura e Polícia Militar sobre o caso.

Câmara terá audiência pública

Evaldo e Professor Igor (PSB) foram os únicos parlamentares que assistiram ao teatro, já em temporada na mesma praça desde 2015. Ambos endossaram apoio aos artistas, em frases como “o tema do teatro é pertinente”, “está dentro de um contexto”, “não vi desrespeito dos atores, mas uma reflexão sobre os maus policiais”. Correligionário do secretário da cultura e responsável por emendas aos festivais da cidade, Professor Igor agendou uma audiência pública sobre o fato, prevista para o dia 29 de novembro, às 18h, na Câmara de Vereadores.

Durante a sessão na Câmara, também prestaram apoio os recém-eleitos Telma de Souza e Chico do Settaport (ambos do PT) e a ex-prefeiturável Débora Camilo (PSOL). Políticos garantiram o uso da tribuna cidadã ao ator Caio Martinez Pacheco. Ao adentrar a plenária, o diretor teatral foi aconselhado pelo vereador Cacá Teixeira (PSDB) para evitar ruídos contra os parlamentares. Se o sinal de TV da Câmara foi cortado durante o discurso, confira na íntegra a primeira vez em que um artista de rua tem o direito de palavra no Castelinho de Santos.

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