#PraçaDosArtistas: Versões da PM, Polícia Civil e Ouvidoria divergem sobre ação contra teatro

Por Lincoln Spada

Em audiência pública, o comandante regional da Polícia Militar, coronel Ricardo Teixeira de Jesus, garantiu que não foi uma ordem geral do comando em intervir no teatro de rua ‘Blitz – O Império que nunca dorme’, da Trupe Olho da Rua, em 30 de outubro na Praça dos Andradas – popularmente, Praça dos Artistas. Mas descartou a maioria das versões apresentadas na mídia naquele dia. A audiência ocorreu na última terça (dia 13), na Câmara dos Vereadores de Santos.

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O coronel da PM afirma que se inteirou do tema desde a madrugada de domingo para segunda-feira, observando reportagens, vídeos que circulam nas redes sociais e depoimentos sobre a ação da PM contra a companhia cênica. Há um acompanhamento tanto para ver se houve abuso de autoridade dos policiais, como também se existiu crime na peça teatral. Entretanto, segundo relatórios, ele já adianta que o tema da peça não foi a causa inicial para tal intervenção, ao contrário do que a Polícia Civil informou à UOL.

Já que o levantamento da PM não aponta o tema cênico como primeiro fator para interromper o teatro, uma conclusão é de que os policiais já apontavam como única razão as bandeiras invertidas no cenário. Assim, Ricardo Teixeira refuta a versão apresentada pelos artistas e espectadores, entre eles, o jornalista Marcus Vinícius Batista, que testemunhou na imprensa que os agentes diziam durante o ato também não saber o porquê de agirem contra o grupo teatral.

Na Câmara, o coronel demonstrou respeito, mas já que continuam as apurações, não concordou com a posição do Ouvidor das Polícias, Julio Cesar Fernandes Neves. Em entrevista à TV Cultura, Julio Cesar negou o boletim de ocorrência que apontava resistência ou desacato, a ponto dos policiais precisarem algemar o diretor teatral e conselheiro municipal de cultura Caio Martinez Pacheco. O coronel também descarta a versão dos bastidores políticos, de que a motivação do ato foi um trote de policiais à tenente responsável pelo grupo de viaturas no dia.

Ainda, Ricardo Teixeira apresentou o fato de que a PM mantém viaturas para segurança preventiva na Praça dos Andradas desde meados de 2016. Embora reconheça que policiais já possam ter assistido à ‘Blitz’ na mesma praça, ele não fez juízo de valores se houve alguma prevaricação, pois os agentes públicos não tomaram medidas anteriormente, já que a peça está em cartaz no mesmo local desde setembro de 2015. A sindicância da PM sobre o caso deve ser concluída na primeira semana de janeiro de 2017.

A audiência

A audiência foi dirigida pela Comissão Permanente em Defesa dos Direitos da Cidadania e dos Direitos Humanos, com a presença dos vereadores Douglas Gonçalves (DEM) e Evaldo Stanislau (Rede), do secretário de Cultura, Fábio Nunes, do representante da secretaria de Defesa da Cidadania, Wellington Araújo, do diretor teatral Caio Martinez Pacheco, e cerca de outros 20 participantes.

Uma grande parte da audiência foi a proposta de alterar o decreto municipal 6.889/14, que limita manifestações em lugares públicos, incluindo eventos de artistas de rua. Na mesma tarde, a Secretaria da Cultura garantiu que o decreto será revisto em janeiro junto da classe artística.

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