Filme da luta antimanicomial ‘Luz, Câmera, Inclusão…’ é lançado na internet

Por Beatriz Bucciano

Já pode ser visto na internet o longa “Luz, Câmera, Inclusão…um filme sobre a Luta Antimanicomial”, produzido pelo diretor Santista Dino Menezes. Para concluir a produção foi utilizada tecnologia e as redes sociais por meio do sistema conhecido como “crowdfunding”. O filme começou a ser gravado em 2013, durante as manifestações do dia 18 de maio, quando é celebrado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

Nos dois anos seguintes, Dino e sua equipe, trabalharam com recursos próprios e colheram entrevistas de lideranças, usuários do Caps e autoridades como o ex-coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori, substituído por Valencius Wurch, em dezembro de 2015. O documentário mostra várias manifestações dos movimentos ligados à luta antimanicomial, que se intensificaram após a nomeação de Valencius, exonerado do cargo em maio do ano passado. O médico psiquiatra foi diretor de um dos maiores hospícios da América Latina.

A cidade de Santos foi pioneira na luta antimanicomial. Durante 30 anos, a cidade abrigou a Casa de Saúde Anchieta, também conhecida como “Casa dos Horrores”. O nome foi dado em razão das condições encontradas no local: a superlotação, falta de profissionais e as denúncias de maus-tratos, fizeram com que a prefeitura intervisse, no final da década de 80, assumindo a direção do hospital psiquiátrico.

A partir daí, o lugar passou a adotar terapias e serviços que pudessem garantir o convívio social dos pacientes. A rádio Tam Tam, dirigida pelo arte-educador Renato Di Renzo e produzida dentro do Anchieta pelos chamados “loucutores” era um destes projetos. “Eu já conhecia o trabalho e a história do Renato e sempre tive muita curiosidade sobre o tema. Há alguns anos, fui gravar em um Caps e tive a ideia de fazer o filme”, conta o diretor Dino Menezes. “Luz, Câmera, Inclusão…” foi lançado com grande aceitação dos movimentos ligados à saúde mental. “Emocionante, realista, histórico, engajado e sensível”, avaliou Rodrigo Pressoto, especialista da área e militante de Campinas/SP.

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