Protesto de alunos da EAC movimenta audiência sobre futuro da Cadeia Velha

Por Lincoln Spada | Foto: Danilo Nunes | Vídeo: Junior Brassalotti

Questionando se a falta de papel higiênico é apenas no Teatro Guarany ou também nos gabinetes da Prefeitura e da Câmara, o protesto dos alunos da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo foi o que mais movimentou a audiência pública sobre o futuro da Cadeia Velha, na última sexta-feira (dia 10), no próprio Teatro Guarany.

O ato teve direito a leitura da carta-manifesto e de alunos levantando cartazes, como ‘Cadê a verba? A parede está caindo’, ‘Cadê a verba? Falta balde para tanta goteira’, ‘Cadê a verba? Em busca do mínimo de limpeza’, ‘Cadê a verba? Nós só queremos estudar!’. As indagações de caráter de urgência foram diretamente ao secretário de Cultura de Santos, Fábio Nunes, que dividia o palco com Márcio Souza, coordenador do mesmo teatro até o início do ano. O atual titular é Michel Pereira, a partir de indicação do secretário.

As queixas dos alunos da EAC Wilson Geraldo já foram registradas no semestre anterior pelo Conselho de Cultura de Santos. Na época, foram informados que as adequações costumam ser no período de férias escolares. Inaugurado em 2008, o Guarany é o único teatro santista que ainda não tem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros.

Durante a audiência, a queda na arrecadação foi um ponto levantado por Fábio Nunes, que exemplificou que em 2016, a reserva definida em orçamento participativo para reformar o Teatro Rosinha Mastrângelo teve de ser realocada para os pagamentos de corpos estáveis. Em resposta à intervenção dos estudantes, o secretário se comprometeu em agendar uma reunião o mais breve com os alunos da EAC Wilson Geraldo e membros da secretaria para as devidas adequações no espaço.

Alfinetadas, ausências e vaias

A audiência sobre os rumos da Cadeia Velha de Santos lotou o Guarany, tornou-se um chamariz para a imprensa e reuniu muitos parlamentares. Quem conduziu a mesa foi o presidente da Comissão Especial de Vereadores, Chico do Settaport (PT). Também participaram o presidente da Câmara de Santos, Adilson Júnior (PTB), a presidente da comissão permanente de cultura, Audrey Kleys (PP), além de Geonísio Pereira Aguiar, o Boquinha (PSDB), Rui de Rosis (PMDB) e Telma de Souza (PT).

O deputado estadual Luiz Fernando (PT) se solidarizou e ampliou o debate, mas cobrou a presença direta do prefeito Paulo Alexandre Barbosa, então representado pelo seu secretário. Além de Fábio, comporam a mesa a secretária-adjunta Raquel Pellegrini e o presidente do Conselho de Cultura de Santos, Jamir Lopes. Em sua fala, o deputado amansou a ausência de seus colegas regionais da Assembleia Legislativa, como Caio França (PSB), Cássio Navarro (PMDB) e Paulo Corrêa Jr (PEN) – não há registros dos deputados, sequer quando a Cadeia Velha funcionava como centro cultural de artes integradas.

Ao mesmo tempo, o parlamentar endossou o coro contra as ausências do secretário estadual de Cultura, José Roberto Sadek, do subsecretário estadual de Assuntos Metropolitanos, Edmur Mesquita, e do diretor da Agência Metropolitana da Baixada Santista, Hélio Hamilton Vieira Junior – nenhum desses órgãos foram representados. A posição enfática da mesa era de negar a presença da Agem à Cadeia Velha, hoje em prédio alugado. Segundo Chico, a agência analisa migrar para a Escola Estadual Acácio de Paula Leite Sampaio. Já o vereador Boquinha diz que a Prefeitura de Praia Grande está em tratativas para receber a sede da Agem.

Sem a presença dos representantes do Governo Estadual, a audiência foi uma série de alfinetadas partidárias de quem estava na mesa, vaias interrompendo discursos políticos e a abertura de falas para os presentes, muitos alheios às lutas nestes cinco anos dos movimentos culturais pela garantia do prédio como centro cultural de artes integradas e pelas oficinas culturais a ser mantida exclusivamente pelo Governo Estadual.

Novos interesses, novos caminhos

O secretário Fábio Nunes relembrou que os artistas pleiteavam essa proposta, a ponto de negar qualquer termo de permissão de uso do prédio. E adiantou já estar em conversas com a Sabesp e as concessionárias de luz e telecomunicação (telefone e internet) para reduzir as despesas no equipamento público. Como também, de que dedicará um convênio de oficinas culturais no valor aproximado de R$ 200 mil anual para atividades no próprio edifício.

Contrariando as mobilizações recentes dos artistas, daí três novas propostas foram apresentadas na audiência: a Prefeitura assumir inteiramente o prédio, que hoje custa em torno de R$ 1,4 mi; a Prefeitura fazer uma gestão compartilhada com o Governo Estadual para o uso do espaço; a Prefeitura buscar uma organização social vinculada à cultura ou aos artistas para gerir o equipamento.

Outros encaminhamentos é a presença da Comissão Especial de Vereadores em uma reunião com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa até o dia 15, e em audiências com José Roberto Sadek, com o chefe da Casa Civil do Governo de SP, Samuel Moreira, e com a Assembleia Legislativa, esforçando-se para reativação das sedes regionais das Oficinas Culturais.

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