‘Áfricas no Cinema’ reúne discursos de filmes, acadêmicos e comunidade no Sesc

Por Sesc Santos

A Mostra ‘Áfricas no Cinema’ que acontece de 24 a 26 de março, faz parte do Festival de Cultura Árabe, produzido pela Unisantos em Março. No Sesc serão diversos filmes produzidos por países africanos ou em conjunto África/Europa comentados por professores especialistas.

>>  Sessão de sexta, das 19h às 22h

‘Na Dobra da Capulana’ (Na dobra da capulana, Moçambique, 30min, cor, 2014), de Camilo de Sousa e Isabel Noronha. Este documentário propõe uma viagem do presente para o passado, pelo “reino” encantado da “capulana” através da qual somos levados a descobrir o sentido de ser mulher em diferentes épocas, ligadas entre si pelos traços, cores, padrões, desenhos, dizeres e nomes de cada capulana, na dobra da qual se esconde uma história única, singular.

‘Ngwenya, o Crocodilo’ (Ngwenya, o crocodilo, Moçambique, 90 min, cor, 2007), de Isabel Noronha. Karingana Wa Karingana: era uma vez “Ngwenya, o crocodilo”, cujo espírito falava uma língua inventada por ele mesmo e voava em sonhos por um universo fantástico que só as cores podiam traduzir. Mais do que um filme sobre a vida e a obra do mais importante pintor moçambicano, este filme é uma viagem ao universo de um homem que não só se tornou um mito como criou uma verdadeira língua para escrever um mundo inscrito dentro de si. Filme vencedor do Prêmio “Janela para o Mundo”. Os dois filmes, que totalizam 120 min, serão seguidos de conversa com Isabel Noronha e Camilo de Sousa. Auditório. Não recomendado para menores de 10. Grátis.

>> Sessão de sábado, das 16h às 19h

‘Virgem Margarida’ Ano de 1975. Após séculos de colonização portuguesa, Moçambique torna-se um estado independente. O novo regime procura limpar as ruas da prostituição. Assim, 500 prostitutas são enviadas à força para um centro educacional na selva, onde são obrigadas a aprender regras de convivência e a redescobrir o seu papel na nova pátria. Margarida é uma adolescente de 16 anos que foi parar ali por engano, quando tentava comprar o enxoval para o seu casamento.

Inocente, ela não tem pecados para expiar. Ao viverem num verdadeiro inferno, as mulheres unem-se num plano para escapar daquele lugar. Margarida torna-se a representação de liberdade e de pureza num lugar onde, segundo uma das personagens, “o camarada é pior que o colono”. Virgem, Margarida (Virgem, Margarida, Moçambique/Portugal/França, 90 min, cor, 2012), de Licínio Azevedo O Filme será seguido de conversa com Profa. Dra. Maria Cristina Cortez Wissenbach. Auditório. Não recomendado para menores de 10. Grátis.

>> Sessão de domingo, das 16h às 19h

‘Bakuba’ (Bakouba, Bélgica, 16 min, PB, 1950), de Gérard de Boe. Filme etnográfico usado como propaganda colonial belga, rodado na República Democrática do Congo-RDC (ex-Zaire) na metade do século XX. O cineasta Gérard de Boe (1904-1960) esteve pela primeira vez no Congo Belga (atual RDC) como médico dos 23 aos 34 anos. Na década de 40 trabalhou como câmera no C.I.D. (Centro de Informação e Documentação), órgão governamental atuante na colônia belga, que conquistaria a independência 8 anos depois das filmagens.

Ao delinear um contraste entre os afazeres cotidianos do grupo étnico Bakuba e o “culto” à realeza, este documentário traz imagens da produção de arte africana com o tecelão, a bordadeira, o escultor e o ferreiro, que são filmados “em ação” mostrando o resultado de suas realizações artísticas. Cantos e danças num rito fúnebre são exibidos e revelam importantes registros antropológicos. Além de trazer um raro documento cinematográfico da incisão ao vivo de uma escarificação (cicatrizes na pele que servem como indicadores de identidade e hierarquia) o filme traz também uma dança das esposas do rei (Nyimi) e imagem de sua imponente vestimenta real de 80 quilos.

‘A Cabeça de Ifé’ (The Ife Head, Reino Unido, 29’15”, cor, 2006). Documentário sobre a escultura de bronze e de cerâmica do Reino de Ifé, Nigéria, datada do século XII ao XV. O documentário trata da história desse objeto desde sua descoberta e de outras cabeças de bronze e latão de Ifé, sua descoberta em 1910, sua “redescoberta” e o processo de incorporação a partir de 1938 e sua difusão no mundo. Também aborda as pesquisas de campo e laboratoriais sobre seus estilos artísticos e tecnológicos. A “cabeça de Ifé” é um dos carros-chefes do acervo africano do British Museum, uma de suas “obras-primas”, e serviu de inspiração ao Monumento a Zumbi, instalado na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, em 1986.

‘O que são os bronzes do Bênin?’ (What are the Benin Bronzes?, Reino Unido e Irlanda, 2009, 5 min, cor, 2016). Filme que demonstra o processo de saque de obras de arte do Benin, Nigéria, pelo Império Britânico e que permite discutir a pilhagem da África pela Europa e os movimentos de repatriação dos bens patrimoniais africanos. Os três filmes, que totalizam cerca de 50 min, serão seguidos de conversa com a Profa. Dra. Marta Heloisa (Lisy) Leuba Salum. Auditório. Não recomendado para menores de 10. Grátis. 26/03.

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