Macuco e La Boca: representações artísticas de dois bairros portuários

Por Alessandro Atanes

Realizar uma viagem entre os portos de Santos e Buenos Aires por meio das artes é o tema da conferência Macuco e La Boca: representações artísticas de dois bairros portuários. Por meio de pinturas, gravuras, fotografias, livro-objeto, quadrinhos e textos de literatura, a conferência promove um diálogo entre obras de arte que retratam os portos das duas cidades. O encontro ocorre em 31 de maio, quarta-feira, a partir das 16 horas, na Biblioteca de Artes Cândido Portinari do Centro de Atividades Integradas – CAIS, na Avenida Rangel Pestana, 150, Vila Mathias.

A apresentação será de Alessandro Atanes, jornalista e mestre em História Social. É o professor convidado do módulo de não-ficção do Curso Livre de Formação de Escritores, a ser realizado no segundo semestre também na biblioteca, e autor do livro “Esquinas do Mundo: Ensaios sobre História e Literatura a partir do Porto de Santos” (Facult, 2013), em que trata poemas e romances como fontes históricas para estudar a cidade, além de relacionar Santos ao universo portuário de outras partes do mundo, como Nova York, São Petersburgo, Dublin e Hamburgo, além da própria Buenos Aires.

A conversa será conduzida em torno de dois eixos: o tema do horror; e a melancolia e desolação das áreas portuárias. Na primeira parte, que dá nome ao encontro, a cena do embarque de carne em uma obra do escritor chileno Roberto Bolaño vai servir de guia para traçar relações entre quadros do pintor argentino Quinquela Martín sobre o porto de La Boca pintados nos anos 20 e cenas do cais santista no romance “Navios Iluminados”, de Ranulfo Prata, publicado em 1937.

A segunda parte da conferência volta-se para o porto de hoje e reúne artistas contemporâneos: Alberto Martins, escritor, autor de “Cais” (poemas, 2002), “História dos Ossos” (novela, 2005) e “Lívia e o cemitério africano” (2015), obras que têm o porto de Santos como cenário e que são acompanhadas por gravuras do próprio autor; Raphael Morone, autor da capa de “Esquinas do Mundo…” e de “Diário de bordo de um livro-barco” (foto), em que faz uma intervenção em um exemplar do livro; os lambe-lambe de Fabricio Lopez; a invasão de Santos por “Monstros” (2012) de Gustavo Duarte, e os navios fantasmas das fotografias de Cássio Vasconcellos, expostas na cidade no ano passado durante a primeira edição do Festival Valongo.

O autor

Os estudos de Atanes buscam nas “entranhas” de obras de poesia e ficção formas de obter conhecimento histórico, tratando-as como fontes documentais para a pesquisa, atrás da resposta para a pergunta: Que tipo de conhecimento sobre a sociedade essas fontes podem nos fazer conhecer? Esse caminho de investigação entre livros percorre uma trilha em que o real é posto em suspensão. É desse lugar suspenso – o da invenção literária – que podemos nos voltar com um pente-fino em mãos escovando a história a “contrapelo”, como nos ensinamentos de Walter Benjamin.

“Navios Iluminados”, de Ranulfo Prata, mostra o calvário no cais de Santos de um retirante do sertão da Bahia que tenta melhorar de vida como estivador. Lançada pela prestigiosa editora José Olympio em 1937, a obra chega aos 8o anos com seis edições, inclusive uma fora do Brasil, feita justamente em Buenos Aires em 1940. A edição mais recente é de 2015 e foi feita pela Edusp dentro da coleção Reserva Literária, cuja “madrinha” é a escritora e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras Nélida Piñon.

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