Curso no José Martí: Conheça a América Latina por meio da Literatura

Por Alessandro Atanes

Um dos principais nomes da literatura em espanhol da virada do século, o escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003) é o tema do curso “Roberto Bolaño e o horror latino-americano”, que acontece a em junho, a partir do dia 8, das 19 às 21 horas, na Associação Cultural José Martí, na Rua Joaquim Távora, 217, Vila Matias, em Santos. Serão quatro encontros, sempre às quintas-feiras, com o jornalista e mestre em História Social Alessandro Atanes.

Recheado de material inédito em português, o curso parte de um roteiro biográfico – a infância no Chile, a adolescência no México e a vida adulta na Catalunha, Espanha – e de discursos e entrevistas de Bolaño para apresentar os grandes temas de sua obra: a violência como traço característico da América Latina, em especial a praticada contra mulheres; a ligação entre o nazismo e as ditaduras do Cone Sul; a viagem e o exílio; a figura do poeta como detetive; e uma forma muito própria de homenagear escritores, desde bastiões como Jorge Luis Borges a pequenos burocratas das letras com bom coração.

Ainda sem tradução para o português está, por exemplo, toda a poesia do escritor chileno, entre a qual os livros “Los perros románticos”, “Tres” e “La biblioteca desconocida”, escritos ao longo dos anos 80 até o início dos anos 90; além das biografias inventadas de “La literatura nazi en América”, de 1996, obra que chamou a atenção da crítica e ainda sem edição no Brasil. Esses são alguns dos livros que fazem parte do curso, além dos romances “Estrela distante” (1996), “Os detetives selvagens” (1998), “Amuleto” (1999), “2666” (2004), seus livros de contos, além dos discursos, entrevistas e textos para jornal. “Claro que em um mês ninguém vai conseguir ler toda essa prateleira, mas a proposta é que cada participante faça seu próprio roteiro dentro do curso”, explica Atanes.

Outro tema do curso é Bolaño como herdeiro de Borges e Julio Cortázar, em que serão apresentados pontos na obra dos dois argentinos que são referências para o chileno, como a composição das três partes de “Os detetives selvagens” como um diálogo com “O jogo da amarelinha” (1963), de Cortázar. “Há formas de entrar na História que conseguimos só pela ficção. Um exemplo na obra de Bolãno é o romance ‘Noturno do Chile’, em que um intelectual ligado à Opus Dei ensina marxismo a Pinochet e à junta militar. No mesmo livro, uma poeta recebe em sua casa colegas e convidados para um encontro, enquanto nos porões do mesmo local outros poetas sofrem torturas infligidas por seu próprio marido, um agente da CIA. A cena não existe na realidade, é uma ficção, mas é do real que ela trata, não?”, pergunta Atanes.

Roberto Bolaño

Nascido no Chile em 1953 e tendo morado no México na adolescência e primeira juventude e na Catalunha, Espanha, até sua morte em 2003, Roberto Bolaño começa a publicar no início dos anos 80 por meio de concursos literários de cidades espanholas. Após o sucesso de “La literatura Nazi en América”, transformou-se em um dos autores de língua espanhola imprescindíveis da atualidade. “Os detetives selvagens” (1999) conquistou os prêmios literários Herralde (Espanha) e Rómulo Gallegos (Venezuela).

Alessandro Atanes

Mestre em História Social (USP, 2008) com a dissertação “História e Literatura no Porto de Santos: o romance de identidade portuária Navios Iluminados”. Durante o mestrado, assistiu aulas em disciplinas como “História e Literatura na América Latina” e “Identidades americanas”, além das disciplinas de História da Cultura. Desde 2010, vem traduzindo e publicando poesia hispano-americana inédita em português, principalmente autores da Argentina e do Peru. Realizou em 2015, na própria Associação Cultural José Martí, o curso “História e Literatura na América Latina: Roberto Bolaño, Borges e as editoras cartoneras”.

Roberto Bolaño e o horror latino-americano
Curso de História e Literatura na América Latina
Dias 8, 15, 22 e 29 de junho.
Quintas-feiras, das 19 às 21 horas.
Investimento: R$ 80,00
Associação Cultural José Martí,
Joaquim Távora, 217, Vila Matias, em Santos
(13) 3307-1494
facebook.com/ACJMBS/

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