Oficinas Querô iniciam crowdfunding para financiar filme sobre racismo infantil

Por Ivan de Stefano

Você sabia que 2,5 milhões de mulheres negras no Brasil não se reconhecem como negras? Esse é o total de brasileiras que deveriam se declarar negras para que, estatisticamente, os números retratem a mesma proporção racial dos homens, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Parte dessa não identificação surge na infância, período da vida em que as crianças estão formando a visão de si mesmas. Para levantar essa discussão, os jovens das Oficinas Querô estão produzindo o filme ANA e para custear os gastos da pré-produção, estão realizando uma campanha de financiamento coletivo em http://www.kickante.com.br/ana.

O dinheiro arrecadado no Kickante será usado para custear os gastos com transporte, pesquisa de elenco e arte, além de possíveis contratações de profissionais da área. Entre as recompensas estão desde par de convites para estreia do filme, fotos e cartaz do filme para download, além de cursos de cinema oferecidos pelo Instituto de Cinema de São Paulo (www.institutodecinema.com.br) para quem quiser investir na carreira audiovisual, com quase mil reais de desconto.

Além de recompensas para empresas e instituições, como sessão do filme com bate-papo ou oficinas de cinema ministradas pela equipe de jovens educadores do Instituto Querô. A campanha fica no ar até 7 de agosto e os valores podem ser pagos no cartão (em até 6x) ou à vista no boleto. Mais informações pelo facebook http://www.fb.com/institutoquero, instagram http://www.instagram.com.br/institutoquero, ou site http://www.institutoquero.org.

Sobre o filme

Com duas protagonistas negras, o curta-metragem busca dar representatividade à mulher negra, levantar questões como racismo e auto-identificação. “A ideia de produzir o curta surgiu de um dos nossos colegas das Oficinas Querô, que presenciou uma criança que se desenhou como branca durante uma atividade. Nos sensibilizamos com a história e fomos descobrindo entre nós mesmas, meninas no Querô, situações que passamos na infância e decidimos produzir um filme a partir daí, mostrando o que vivem muitas pretas que não reconhecem ou reprimem a própria identidade, vítimas de racismo”, revela a jovem diretora em capacitação pelas Oficinas Querô, Vitória Felipe dos Santos, de 18 anos.

Paralelo ao racismo, o filme também conta a história de Jeannette, uma professora refugiada do Congo que trabalha como faxineira na escola de Ana e mesmo não falando português e com dificuldades de adaptação, decide ajudar a menina na valorização de suas características. “Queremos trazer para as telas um pouco da realidade dos refugiados que vivem no país, as dificuldades e o preconceito que encontram aqui. Para isso, estamos em contato com grupos de refugiados em São Paulo, que nos ajudaram durante toda a adaptação da história”, revela Claudio Maneja Jr, um dos roteiristas do filme e também coordenador de Projetos do Instituto Querô.

Sobre os realizadores

O filme conta com mais duas mulheres na escrita do roteiro – Nicolle Ferreira e Isabella Rosa, ambas de 18 anos, capacitadas nas Oficinas Querô – e na direção a jovem Vitória Felipe dos Santos. Com 18 anos, Vitória faz parte das Oficinas Querô 2017, curso de capacitação audiovisual do Instituto Querô, é também universitária em História pela Universidade Católica de Santos e envolvida em causas relacionadas à luta da comunidade negra, colaborando na produção de eventos voltados à cultura afro-brasileira pelo coletivo de mulheres “Fridas”. Para ser mais fiel à causa negra, o filme conta com a tutoria e co-produção da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro – APAN, que luta pela representatividade dos negros no cinema.

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