Casos recentes de feminicídio na Baixada Santista

Diego da Silva Santos mata Valdenize Soares

Com requintes de premeditação e portando um revólver calibre 38 com a numeração raspada, Diego da Silva Santos, de 28 anos, invadiu a casa da ex-namorada, pulando um muro, e a matou com dois tiros. O crime ocorreu na quinta-feira (24) de manhã, no Jardim Boa Esperança, em Vicente de Carvalho. Logo após atirar na jovem, ele tentou o suicídio disparando contra o próprio pescoço. Baleada no antebraço direito e nas costas, a fisioterapeuta Valdenize Soares Silva Santos, de 30 anos, foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Leia aqui.

Francisco Alex mata Maria das Graças

O pintor Francisco Alex dos Santos Pereira, de 29 anos, é acusado de assassinar a golpes de faca a sua companheira, a empregada doméstica Maria das Graças da Silva, de 39. O homicídio aconteceu domingo (13), na residência do casal, em Peruíbe. Após o crime, Francisco foi visto fugir do local pedalando uma bicicleta, conforme informou uma vizinha. Esta mulher disse que, momentos antes, escutou Maria das Graças discutir com o companheiro e gritar por socorro. O paradeiro do pintor permanecia ignorado até ontem a tarde. Leia aqui.

Ronaldo Gregório tenta matar Marlene Souza

Inconformado com o término do namoro ocorrido no último sábado e com o fato de a faxineira Marlene Souza de Oliveira, de 52 anos, não querer reatá-lo, o marceneiro Ronaldo Gregório, de 54, tentou matá-la hoje de manhã, em São Vicente, com quatro tiros. A tentativa de homicídio aconteceu às 8h10, na esquina das ruas Frei Gaspar e Tamoios, no Parque São Vicente. A mulher foi atingida superficialmente na cabeça e no ombro, mas passa bem. Segundo a faxineira, em razão de Ronaldo ser uma pessoa “violenta”, no último sábado, decidiu terminar o namoro que mantinha com ele havia cinco anos, período durante o qual não tiveram filhos. Porém, ontem, o marceneiro a abordou quando ela caminhava em direção ao trabalho. Leia aqui.

Marcelo Nascimento mata Cibele e Elizabeth

O motorista Marcelo Nascimento de Almeida, de 38 anos, foi preso em flagrante na madrugada deste sábado (28) acusado de matar a facadas a mulher e a sogra, na casa onde os três residiam, no Jardim Piratininga, bairro de Santos às margens da Via Anchieta. Cibele Santos Silva de Almeida, de 32 anos, e a sua mãe, Elizabeth dos Santos, de 58, receberam golpes “certeiros” no coração. Inicialmente, o motorista nada quis falar sobre o caso, segundo a delegada Daniela Perez Lázaro. Depois, ele afirmou que pediu uma pizza por telefone e foi dormir, por tomar “remédios fortes”. Ainda conforme o homem, apesar de ter o sono pesado, ele acordou com os latidos de seu cachorro.

Era cerca de 1h30 e Marcelo disse que se dirigiu até a sala, deparando-se com a sogra caída no chão ensaguentada e um homem sobre Cibele, tentando esfaqueá-la. Neste momento, para salvar a mulher, o motorista teria entrado em luta corporal com o desconhecido, que conseguiu fugir. Nada foi roubado da casa e Marcelo contou que pediu auxílio a vizinhos após a fuga do homem. A delegada também ouviu parentes e uma vizinha das vítimas. Segundo os familiares, o relacionamento entre o acusado, que faz uso de remédios controlados, e Cibele era marcados por “altos e baixos”. No dia 29 de outubro, Marcelo e Cibele brigaram de novo, mas não chegou a ser registrado boletim de ocorrência porque eles se reconciliaram na porta da delegacia. Leia aqui. 

João de Souza mata Maria de Lourdes Santos

O aposentado João de Souza Santos, de 72 anos, matou a mulher na casa onde moravam no Boqueirão, em Praia Grande, e depois tentou se matar, no fim da tarde desta terça-feira (22). O homem disse à Polícia Civil que tomou essa atitude extrema por estar vivendo dificuldades financeiras e chegou a deixar uma carta para inocentar o filho do crime. De acordo com o relato registrado no Boletim de Ocorrência, o aposentado havia decidido se suicidar por estar com problemas financeiros. Porém, como a esposa ficaria sozinha e iria sofrer, decidiu matá-la também. Ele enforcou a mulher, a pedagoga Maria de Lourdes Santos, de 66 anos, com um cabo de fiação elétrica na casa onde moravam, no Boqueirão.  Leia aqui. 

Marcelo Batista mata Regiane Valério

Uma enfermeira de 31 anos foi estuprada e morta na noite de quarta-feira (12), em Peruíbe. O crime ocorreu no imóvel onde a vítima, que estava grávida de cinco semanas, residia, no bairro Romar. O acusado cometer o crime é um vizinho da vítima, que já tinha passagens pela polícia e confessou mais três estupros. Ele foi preso em flagrante. O crime ocorreu por volta das 22 horas. Regiane Valério residia com o marido, mas foi abordada pelo criminoso quando estava sozinha. O responsável pelo ataque é o ajudante de pedreiro Marcelo Batista, de 31 anos.

De acordo com a Polícia Civil, o acusado, que mora na casa ao lado da enfermeira, invadiu o imóvel. Em seguida, ambos tiveram uma violenta briga e a vítima foi agredida. Durante as agressões, a enfermeira, segundo Marcelo afirma à polícia, caiu e ficou desacordada. Ainda conforme o acusado, na sequência, ele arrastou a mulher, inconsciente, até a própria casa, onde praticou o estupro. Leia aqui. 

Rodrigo Correa mata Leda Maria Teixeira

O comerciante Rodrigo Correa de Oliveira, de 34 anos, matou com tiros na cabeça a sua ex-mulher, Leda Maria Teixeira Lima, de 36, na noite de sábado (4), no Balneário Pedrinhas, em Ilha Comprida, no Vale do Ribeira. Após o assassinato, o autor se dirigiu de carro até a orla da praia e lá se suicidou com um tiro na boca. A morte de Leda ocorreu dentro de sua casa, situada na avenida da praia. Na ocasião, o filho do casal, de 15 anos, estava na moradia e escutou os tiros dados pelo pai. Leia aqui.

Valdivan Silva mata Cristiane Ferreira

Um homicídio passional gerou revolta em moradores da Chácara Vista Linda, em Bertioga, que chegaram a apedrejar o autor do crime, o serralheiro Valdivan Silva Costa, de 36 anos, que matou a ex-companheira a facadas. Na manhã desta quarta-feira (10), o homem teria apunhalado Cristiane Ferreira Sousa, de 22 anos, com dois golpes de uma faca de cozinha, na casa onde ambos moravam. A jovem morreu ainda no local. A reportagem apurou que a motivação do crime seria que o serralheiro tinha a intenção de reatar o relacionamento, mas a vítima se recusava a continuar com ele. Leia aqui.

Marido mata esposa na frente dos filhos

Um homem de 32 anos matou a facadas neste domingo, Dia Internacional da Mulher, a esposa, de 30, e depois se suicidou, em Itapetininga (SP). Dois filhos do casal, um adolescente de 16 anos e uma criança de 8, presenciaram o crime, que teria sido motivado por ciúmes. O casal vivia no bairro Cambuí, periferia da cidade. Ao ver o pai ameaçando e agredindo a mulher com uma faca, o filho mais velho saiu de casa para pedir ajuda a moradores vizinhos. Os policiais chegaram juntos com a viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A mulher foi encontrada na sala com vários ferimentos. Ela foi socorrida, mas não resistiu. Os policiais também retiraram o corpo do homem, que havia se enforcado na lavanderia da casa. A faca usada no crime estava no chão, ainda suja de sangue. Os filhos foram encaminhados para a casa de familiares da mãe. Leia aqui. 

José Américo mata ex-enteado para ferir ‘amada’

O aposentado José Américo Simões, de 72 anos, matou o enteado de 12 anos no final da manhã deste domingo, no Bairro Chico de Paula, em Santos. O crime teve motivação passional, uma vez que a mãe do garoto havia se separado do acusado há aproximadamente duas semanas. Após a execução, ele se matou. Tudo aconteceu nos fundos de uma casa na Rua Cananeia. O garoto, identificado pela Polícia como Matheus Felipe Pereira Sena (foto), ainda morava com o padrasto devido à proximidade da escola onde estudava. A mãe dele, que possui 42 anos, já estava, entretanto, vivendo na casa do atual parceiro, com quem iniciou um relacionamento recentemente. Leia aqui. 

Cecimar Antônio mata Eugênia Patrícia e filho

O pedreiro Cecimar Antônio de Souza contou à polícia que matou a vizinha, a dona de casa Eugênia Patrícia Ferreira de Souza, de 39 anos, com as próprias mãos, após pular o muro da residência das vítimas. A criança Pedro Henrique, de 2 anos, segundo o pedreiro, teria sido agredida com um chute e desmaiado após ter visto a mãe ser esganada. Ainda de acordo com Cecimar, após cometer o crime, ele colocou os corpos de Eugênia e do filho Pedro Henrique em sacos plásticos e os levou para um terreno em São Vicente. A polícia desconfia que a criança tenha morrido por asfixia. No dia seguinte, após auxiliar o marido da vítima nas buscas pela dona de casa, o pedreiro retornou ao local para queimar os cadáveres. Leia aqui.

Wesley Santos mata Ivone Maria de Santana

O ajudante geral Wesley Santos Santana foi condenado nesta quinta-feira (16) a 13 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, por matar com dois tiros a sua prima e ex-namorada, Ivone Maria de Santana Santos, doméstica baleada na Praça Ida Trilli Gomes dos Santos. Ela residia em Guarujá com o filho então de 10 anos. O crime ocorreu no início da manhã de 9 de maio do ano passado, na Ponta da Praia. De acordo com o representante do Ministério Público, o réu, na época do crime com 20 anos, matou a prima, de 30, porque não se conformou com o fato de ela terminar recentemente o namoro e não querer reatar o relacionamento. Ainda conforme Borba, Wesley não deu chance de defesa à vítima, porque a surpreendeu armado, quando ela se dirigia ao trabalho. Leia aqui.

Eduardo Felizberto mata Débora Pinheiro

Eduardo Felizberto de Souza, 40 anos, acusado de matar a própria esposa em 2011, foi condenado a passar 17 anos atrás das grades. O juiz do caso entendeu que Eduardo matou Débora Pinheiro Silvestre, de 30 anos, com três tiros em 21 de dezembro de 2011. Na ocasião, ele ainda queimou o corpo da vítima para dificultar a identificação do mesmo. Souza foi enquadrado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. O crime ocorreu duas semanas depois da vítima ter dado à luz a um menino, que hoje está sob custódia de seus avós maternos. Leia aqui.

Seções

Introdução
1. Trajetória de Maria Mercedes Féa
1.1 Pesquisa sobre culto popular à Maria Féa – Capítulo 3 (link externo)

2. Consequências do machismo
2.1 Pesquisas sobre machismo no Brasil (link externo)
2.2 Vítimas de ‘vingança pornô’ (link externo)
2.3 Relatos da campanha ‘meu amigo secreto’ (link externo)
2.4 Relatos da campanha ‘meu primeiro assédio’ (link externo)
2.5 Casos de assédio em Santos (link externo)

3. Garantias graduais de direitos às mulheres
3.1 Guia de leis brasileiras dos Direitos da Mulher (link externo)
4. Violências contra a mulher: feminicídio e crimes íntimos
4.1 Casos famosos de feminicídio no Brasil
4.2 Casos de feminicídio no Brasil (link externo)
4.3 Casos recentes de feminicídio na Baixada Santista
4.4 Obras artísticas sobre feminicídio e machismo (link externo)

Anúncios

Casos famosos de feminicídio no Brasil

Doca Street mata Ângela Diniz

Ângela Diniz - A pantera de Minas
Ângela Diniz – A pantera de Minas

A ‘Pantera de Minas’, a socialite Ângela Diniz foi assassinada em 1976 por Raul, o Doca Street. Doca namorou Ângela por quatro meses e a matou com três tiros no rosto e um na nuca, durante uma briga pelos seus ciúmes, após ela ter supostamente confidenciado outros casos. Na época, a defesa disse que ela teria convidado a artesã Gabrielle Dayer para uma noite a três, e ele teria recusado. O crime ocorreu na casa de veraneio de Ângela no Rio. Leia mais.

Pimenta Neves mata Sandra Godime

Ele se achava o responsável por tudo que a ex-namorada possuía, desde emprego, salário e amigos. A cada rompimento, o diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, Antônio Marcos Pimenta Neves pedia à colega de profissão e subordinada Sandra Gomide que ela devolvesse roupas, jóias, selas de cavalo e outros presentes. O namoro durou quatro anos e, menos de um ano após a separação, Pimenta, 63 anos, tomado de ciúmes, matou Sandra com dois tiros.

04Antes do crime, Pimenta tentara a reconciliação. Sem sucesso, demitiu Sandra do jornal e telefonava a amigos da imprensa para falar mal da ex a fim de que ela não conseguisse emprego. A notícia de que Sandra estaria se envolvendo com outro homem foi a gota d’água para que Antônio Pimenta cometesse o crime. A tragédia aconteceu em um haras em Ibiúna (SP), onde a jornalista costumava cavalgar. Quando ela chegou, Pimenta a esperava. Após uma discussão, os tiros foram disparados. Após o crime, Pimenta ficou internado porque ingeriu 72 comprimidos de Lexotan e Frontal (tranqüilizantes). Réu confesso, ficou preso até março do ano passado e aguarda julgamento em liberdade. A denúncia atribui a ele homicídio duplamente qualificado. Leia mais.

Lindomar Castilho mata Eliana de Grammont

05“Ele estava a quase dois metros dela quando disparou. Levantei do banco e atirei o violão no rosto do assassino… Somente mais tarde percebi que também estava ferido, com uma bala na barriga. Mesmo assim, acompanhei Eliana, que chegou morta no hospital.” A descrição é do violonista Carlos Roberto da Silva, parceiro musical da vítima, Eliana de Grammont, que tinha 26 anos, e primo do assassino, o músico Lindomar Castilho.

O crime aconteceu em 1981 no bar Belle Époque, em São Paulo. Lindomar alvejou a ex-mulher e cantora no peito. Eliana e Lindomar se casaram dois anos antes do crime. O cantor era agressivo, ciumento, bebia sem moderação. Quando Eliana foi morta, fazia 20 dias que o desquite havia sido formalizado. Lindomar descobriu que a ex-mulher tinha um caso com seu primo Carlos e ainda o culpa. Leia mais.

Augusto Gallo matou Margot Proença

Ele suspeitava que a mulher o traía e iniciou uma investigação particular. Pai de duas crianças, uma delas Maitê Proença Gallo, hoje atriz da Globo, o procurador de Justiça Augusto Carlos Eduardo da Rocha Monteiro Gallo achou que o professor francês Ives Gentilhomme, que dava aulas para sua esposa, Margot Proença Gallo, era seu amante. Com 12 anos, Maitê declarou “ter visto o professor na cama da sua mãe, vestido de pijama”. Com as evidências, Augusto marcou um encontro decisivo com a esposa. Na discussão em casa, Margot recebeu 11 facadas do marido e morreu aos 37 anos, em 1970. Augusto foi inocentado. Leia mais.

Igor Ferreira mata Patrícia Aggio

“O promotor [Igor] matou a mulher dele e o Genivaldo vai segurar essa bronca. Você sabe que o Genivaldo vai pegar uma condenação de trinta anos. Então para ele, uma a mais, uma a menos, não vai fazer diferença.” A frase foi dita pelo irmão do promotor Igor Ferreira da Silva à esposa de Genivaldo, então preso. Chocada com a armação para que seu marido, preso em uma delegacia em Guarulhos sob acusação de latrocínio e estupro, assumisse a culpa pelo assassinato de Patrícia Aggio Longo, ela decidiu denunciar. E reproduziu tudo às autoridades que investigavam o assassinato de Patrícia, morta com dois tiros na cabeça. Estava grávida de sete meses. Um teste de DNA mostrou que o bebê que Patrícia esperava não era do promotor. Leia mais.

Pontes Visgueiro mata Maria da Conceição

Desembargador de 62 anos estava apaixonado pela prostituta Maria da Conceição, de 17 anos, e movido pelo ciúme matou-a com um punhal. O crime aconteceu em Pernambuco em 1873 e Visgueiro foi condenado à prisão perpétua. Leia mais.

Lindemberg Alves tenta matar Eloá Pimentel

02Em 2008, Eloá Pimentel seria mais uma vítima de crime passional no país. A adolescente de 15 anos namorava Lindembergue Alves, 22, há pouco mais de dois anos entre idas e vindas. No último término o jovem ficou inconformado e sequestrou a ex-namorada por pouco mais de 100h horas. Toda a história foi acompanhada pela população através da mídia. Quando a polícia decidiu por invadir o cativeiro, Lindembergue disparou dois tiros contra a vítima que ficou inconsciente e chegou morta ao hospital. No julgamento realizado neste ano de 2012 Lindembergue confessou ter atirado na ex-namorada e foi condenado a 98 anos e dez meses de prisão pelos 12 crimes que cometeu ente sequestro, tentativas de homicídio e posse ilegal de arma. De acordo com a legislação ele deve cumprir no máximo com 30 anos, dos quais já cumpriu três.  Leia mais.

Goleiro Bruno Souza mata Eliza Samudio

03Em 2010, Eliza Samudio deixou um hotel no Rio de Janeiro. O destino era o sítio de Bruno Souza, goleiro do Flamengo, e suposto pai do filho dela. Uma distância de cerca de 500 km separava o hotel até o sítio do jogador, em Esmeraldas (MG). O motivo da viagem era a promessa de um apartamento no nome dela e do reconhecimento da paternidade do filho. Eliza embarcou com a criança no carro do goleiro. Ao volante estava Luiz Henrique Romão, o Macarrão, secretário e melhor amigo de Bruno. Um menor armado se escondia no porta-malas. A violência contra a moça começou ainda na viagem. Com o carro em movimento, o adolescente pulou para o banco de trás e rendeu Eliza.

Após levar coronhadas na cabeça, mãe e filho foram levados para o sítio onde ficaram sob vigilância dos comparsas do jogador até o dia 10 de junho. Neste período, Bruno visitou o sítio. No dia 10, Eliza foi levada para a casa de Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, um ex-policial civil que já tinha envolvimento em outros crimes. Segundo relatos dos envolvidos, que constam no inquérito policial e também no processo penal, Bola teria matado Eliza Samudio. Leia mais. 

Cláudia Lessin morre na mão de estrangeiros

Cláudia Lessin Rodrigues morreu no Rio de Janeiro, em 23 de julho de 1977, aos 21 anos. Seu corpo foi encontrado dois dias depois, nas pedras do Chapéu dos Pescadores, na Avenida Niemeyer. Ela estava nua e tinha um saco cheio de pedras amarrado ao pescoço. Logo, a polícia chegou aos nomes de dois suspeitos que estavam com ela em uma festa na noite de seu desaparecimento: George Khour e Michel Frank.

Frank tinha dupla nacionalidade, fugiu para a Suíça e escapou da justiça brasileira. O julgamento do caso ocorreu em 1980, três anos após a morte de Cláudia, e durou cinco dias, um dos mais longos do Tribunal do Júri no Brasil. Ao final, George Khour foi condenado por ocultação de cadáver e cumpriu pena de três anos e quatro meses. O júri concluiu que ele não era o autor da morte de Cláudia Lessin. Michel Frank não foi julgado e morreu assassinado em Zurique, em setembro de 1989. Leia mais.

Seções

Introdução
1. Trajetória de Maria Mercedes Féa
1.1 Pesquisa sobre culto popular à Maria Féa – Capítulo 3 (link externo)

2. Consequências do machismo
2.1 Pesquisas sobre machismo no Brasil (link externo)
2.2 Vítimas de ‘vingança pornô’ (link externo)
2.3 Relatos da campanha ‘meu amigo secreto’ (link externo)
2.4 Relatos da campanha ‘meu primeiro assédio’ (link externo)
2.5 Casos de assédio em Santos (link externo)

3. Garantias graduais de direitos às mulheres
3.1 Guia de leis brasileiras dos Direitos da Mulher (link externo)
4. Violências contra a mulher: feminicídio e crimes íntimos
4.1 Casos famosos de feminicídio no Brasil
4.2 Casos de feminicídio no Brasil (link externo)
4.3 Casos recentes de feminicídio na Baixada Santista
4.4 Obras artísticas sobre feminicídio e machismo (link externo)

Violências contra a mulher: feminicídio e crimes íntimos

No entanto, a violência contra a mulher não cessou no mundo por maiores que sejam os avanços e garantias de direitos. Entre 1980 e 2010 foram assassinadas mais de 92 mil mulheres no Brasil, 43,7 mil somente na última década. Segundo o Mapa da Violência 2012 divulgado pelo Instituto Sangari, o número de mortes nesse período passou de 1.353 para 4.465, que representa um aumento de 230%. Já o Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil revela que, de 2001 a 2011, o índice de homicídios de mulheres aumentou 17,2%, com a morte de mais de 48 mil brasileiras nesse período. Só em 2011 mais de 4,5 mil mulheres foram assassinadas no país.

02A violência contra as mulheres segue vitimando milhares de brasileiras reiteradamente: 43% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente; para 35%, a agressão é semanal. Esses dados foram revelados no Balanço dos atendimentos realizados em 2014 pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). Em relação ao momento em que a violência começou dentro do relacionamento, os atendimentos de 2014 revelaram que os episódios de violência acontecem desde o início da relação (23,51%) ou de um até cinco anos (23,28%).

03Em 2014, do total de 52.957 denúncias de violência contra a mulher, 27.369 corresponderam a denúncias de violência física (51,68%), 16.846 de violência psicológica (31,81%), 5.126 de violência moral (9,68%), 1.028 de violência patrimonial (1,94%), 1.517 de violência sexual (2,86%), 931 de cárcere privado (1,76%) e 140 envolvendo tráfico (0,26%). Dos atendimentos registrados em 2014, 80% das vítimas tinham filhos, sendo que 64,35% presenciavam a violência e 18,74% eram vítimas diretas juntamente com as mães.

Explicitando ainda mais, o feminicídio é o ato de violência contra a mulher em decorrência de seu gênero. Quando se trata de um crime cometido por seu parceiro ou ex-parceiro, trata-se do feminicídio íntimo. A Organização Mundial da Saúde e a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres descobriram que mais de 35% de todos os assassinatos de mulheres no mundo são cometidos por um parceiro íntimo. Em comparação, o mesmo estudo estima que apenas 5% dos assassinatos de homens são cometidos por uma parceira.

01No panorama global, “crimes de honra” são assassinatos de meninas ou mulheres a mando da própria família, por alguma suspeita ou caso de transgressão sexual (quebra de regras e/ou tabus) ou de comportamento, tais como adultério, relações sexuais ou gravidez fora do casamento – ou mesmo, se a mulher for estuprada. O crime é praticado para não “manchar o nome da família”. A ONU estima que, no mínimo, 5 mil mulheres são mortas por crimes de honra no mundo por ano. Os assassinatos ocorrem de diversas formas, como por armas de fogo, facadas e estrangulamentos; também sendo comuns que as mulheres sejam mortas queimadas, apedrejadas, obrigadas a tomar venenos e jogadas pela janela.

Seções

Introdução
1. Trajetória de Maria Mercedes Féa
1.1 Pesquisa sobre culto popular à Maria Féa – Capítulo 3 (link externo)

2. Consequências do machismo
2.1 Pesquisas sobre machismo no Brasil (link externo)
2.2 Vítimas de ‘vingança pornô’ (link externo)
2.3 Relatos da campanha ‘meu amigo secreto’ (link externo)
2.4 Relatos da campanha ‘meu primeiro assédio’ (link externo)
2.5 Casos de assédio em Santos (link externo)

3. Garantias graduais de direitos às mulheres
3.1 Guia de leis brasileiras dos Direitos da Mulher (link externo)
4. Violências contra a mulher: feminicídio e crimes íntimos
4.1 Casos famosos de feminicídio no Brasil
4.2 Casos de feminicídio no Brasil (link externo)
4.3 Casos recentes de feminicídio na Baixada Santista
4.4 Obras artísticas sobre feminicídio e machismo (link externo)

Vídeos relacionados

São reportagens curtas sobre o tema relacionado a crimes domésticos, correspondentes a crimes contra a mulher.

Referências

SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA MULHERES DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Compromisso e atitude pela Lei Maria da Penha. Disponível em: <http://www.compromissoeatitude.org.br/dados-nacionais-sobre-violencia-contra-a-mulher/&gt;.
SECRETARIA DE REFORMA DO JUDICIÁRIO. A violência doméstica fatal: o problema do feminicídio íntimo no Brasil. 2012. Disponível em: <http://www.pnud.org.br/arquivos/publicacao_feminicidio.pdf&gt;.
TERRA. Violência contra a mulher. 8 mar 2015. Disponível em: <http://noticias.terra.com.br/mundo/violencia-contra-mulher/&gt;.

Garantias graduais de direitos às mulheres

Foi nesta época que as mulheres passaram a participar mais em todos os níveis de ensino e em diversos setores no mercado de trabalho. No entanto, “havia, no imaginário social da época, a crença de que o casamento e a vida profissional feminina eram incompatíveis. Nos casos em que a esposa precisava trabalhar fora para completar o orçamento familiar, o marido sentia-se, na maioria dos casos, envergonhado, por não conseguir, sozinho, sustentar sua família” (FERREIRA e DIAS). Cenas de preconceito que ainda se repetem na sociedade atual.

01Tal conjuntura, também simultânea a outras garantias de cidadania às mulheres ao redor do mundo ocidental, permitiram o surgimento e a intensificação dos movimentos feministas e, consecutivamente, a criação de uma contraposição de ideias e discursos ao machismo. Aliando-se estas ideologias ao cenário de ditadura militar e de repressão, “o movimento feminista foi capaz de promover uma série de argumentos iluminando as ligações da violência contra a pessoa e a violência contra as mulheres na esfera doméstica” (RAPOSO).

Principalmente na década de 70 que se torna efervescente múltiplos grupos de mulheres para refletirem sobre a cultura sócio-política no País. “E não podemos deixar de assinalar no tempo, os movimentos de emancipação feminina ao qual se associou o aparecimento de método contraceptivos que permitiram à mulher usar sua sexualidade sem o perigo das gestações indesejadas” (CAVALCANTI).

Ainda em 1982, os pioneiros movimentos de sindicalização feminina e de trabalhadoras rurais exigiam o título de posse de terra independente do status civil. Três anos depois, nasceu a rede de Delegacias em Defesa da Mulher, a fim de atender as vítimas de violência e exploração sexual. Em 1983, foram eleitas 26 mulheres para a Assembleia Nacional Constituinte. Foi somente na última década que foi criada uma secretária nacional específica para os direitos da mulher, exemplificada também em nível municipal e estadual. E, atualmente, o Brasil elegeu sua primeira mulher presidente, tendo o país sob a sua gestão desde o ano de 2011.

Entretanto, é interessante ressaltar que o machismo ainda se encontra fortalecido em nossos vínculos sociais. Nas palavras da mestre em Antropologia, Amparo Caridade, a mulher nesta sociedade dói de não ser reconhecida como sujeito, como cidadã. “A discriminação dói no corpo e no espírito. Dói do não sentir-se amada, do não poder amar, do não poder fazer amor. Dói de não ser valorizada em seu crescimento, a do medo que causa aos homens esse seu crescimento. Mulher dói de ser coisa, pedaço, bunda, objeto, mercadoria” (CARIDADE).

Seções

Introdução
1. Trajetória de Maria Mercedes Féa
1.1 Pesquisa sobre culto popular à Maria Féa – Capítulo 3 (link externo)

2. Consequências do machismo
2.1 Pesquisas sobre machismo no Brasil (link externo)
2.2 Vítimas de ‘vingança pornô’ (link externo)
2.3 Relatos da campanha ‘meu amigo secreto’ (link externo)
2.4 Relatos da campanha ‘meu primeiro assédio’ (link externo)
2.5 Casos de assédio em Santos (link externo)

3. Garantias graduais de direitos às mulheres
3.1 Guia de leis brasileiras dos Direitos da Mulher (link externo)
4. Violências contra a mulher: feminicídio e crimes íntimos
4.1 Casos famosos de feminicídio no Brasil
4.2 Casos de feminicídio no Brasil (link externo)
4.3 Casos recentes de feminicídio na Baixada Santista
4.4 Obras artísticas sobre feminicídio e machismo (link externo)

Vídeos relacionados

O vídeo é um dos resumos mais didáticos sobre a revisão histórica do protagonismo feminino.

Referências

SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA MULHERES DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Compromisso e atitude pela Lei Maria da Penha. Disponível em: <http://www.compromissoeatitude.org.br/dados-nacionais-sobre-violencia-contra-a-mulher/&gt;.
SECRETARIA DE REFORMA DO JUDICIÁRIO. A violência doméstica fatal: o problema do feminicídio íntimo no Brasil. 2012. Disponível em: <http://www.pnud.org.br/arquivos/publicacao_feminicidio.pdf&gt;.
TERRA. Violência contra a mulher. 8 mar 2015. Disponível em: <http://noticias.terra.com.br/mundo/violencia-contra-mulher/&gt;.

Consequências do machismo

Em uma rápida consulta, o vocábulo “machismo” é um tanto recente entre os dicionários. Uma das primeiras menções ao termo se encontra na década de 70, pelo dicionário Aurélio, mas ainda visto enquanto qualidade. Na segunda edição, ele emerge como uma referência de “atitude ou comportamento de quem não admite a igualdade de direitos para o homem e a mulher, sendo, pois, contrário ao feminismo”.

03Deste modo, não se trata de que o machismo seja uma ideologia comum apenas no último século, mas de que tal valor era tão naturalizado no comportamento das sociedades anteriores, que somente no surgimento dos movimentos feministas que ele ganha tal denominação. E assim, classificando-se como contraponto do feminismo, este termo que então era refletido como a conquista igualitária de direitos entre homens e mulheres e, mais recente, também nomeando a emancipação de direitos e de protagonismo feminino.

Antropólogos consideram que, antigamente, na sociedade, o feminino preponderava, pois era da maternidade a origem da vida. Logo dando à mulher um significado maior, em sociedades matriarcais da Era Paleolítica, cabendo aos homens à caça e as mulheres à colheita. “Todo mistério que envolvia a mulher pode ter contribuído, na verdade para que o culto que o homem lhe rendia, estivesse baseado de forma muito mais significativa naquilo que o temor ao desconhecido suscita [a gravidez] e, portanto, poderíamos chamar de um culto baseado no terror, do que em um ‘reconhecimento’ do ser mulheres como uma posição referida ao amor” (LIMA).

02É interessante observar como o machismo aplacava os direitos das mulheres até mesmo nos códigos civis. Por exemplo, a sexualidade e as práticas sexuais sempre permaneceram nas constituições do Brasil como modo de controle da procriação. Ainda hoje, há uma série de restrições e pontos a serem revistos. No século passado, cabia a elas, apenas o exercício da maternidade e reprodução na sociedade, supervalorizando-se também a virgindade e a correspondência das expectativas de seus maridos. No Código Civil Brasileiro de 1916, o artigo 290 permitia que os esposos pudessem anular o casamento, “até 10 dias após a cerimônia, caso descobrisse que sua mulher não era mais virgem, alegando, para isso, erro essencial sobre a pessoa”.

A ausência da castidade até o casamento poderia gerar à mulher não apenas a desonra de um matrimônio desfeito, mas ser deserdada de qualquer patrimônio de seus pais e familiares. Querer seguir uma vida enquanto solteira remetia à falta de honestidade do que era entendida como sua exclusiva causa no mundo: o casamento. Logo, no artigo 1.744, autoriza-se a deserdação dos descendentes no caso de “desonestidade da filha que vive na casa paterna”.

04Esta negação constante de prioridades aos direitos e desejos da mulher na sociedade continuou por séculos. Datado de 1930, o livro Moral Sexual do médico José de Albuquerque cita que a “questão sexual não é vista como a possibilidade de interação entre duas pessoas, mas sim como uma forma de aliviar uma necessidade premente nós homens, porque as mulheres que são honestas não têm tais necessidades” (ARAÚJO).

01São nestes valores machistas intrínsecos às culturas de outros séculos que a partir de 1930, as mulheres conseguem gradativamente se empossarem de direitos. Somente em 1932 que o então Código Eleitoral permitia a elas o direito ao voto. E apenas trinta anos depois, por meio de um Estatuto da Mulher Casada, extinguia-se a elas o mesmo status de menores, alienados e indígenas, considerados como pessoas de incapacidade civil. Passariam a ser portadoras de direitos. Mas, neste caso, apenas as casadas.

Seções

Introdução
1. Trajetória de Maria Mercedes Féa
1.1 Pesquisa sobre culto popular à Maria Féa – Capítulo 3 (link externo)

2. Consequências do machismo
2.1 Pesquisas sobre machismo no Brasil (link externo)
2.2 Vítimas de ‘vingança pornô’ (link externo)
2.3 Relatos da campanha ‘meu amigo secreto’ (link externo)
2.4 Relatos da campanha ‘meu primeiro assédio’ (link externo)
2.5 Casos de assédio em Santos (link externo)

3. Garantias graduais de direitos às mulheres
3.1 Guia de leis brasileiras dos Direitos da Mulher (link externo)
4. Violências contra a mulher: feminicídio e crimes íntimos
4.1 Casos famosos de feminicídio no Brasil
4.2 Casos de feminicídio no Brasil (link externo)
4.3 Casos recentes de feminicídio na Baixada Santista
4.4 Obras artísticas sobre feminicídio e machismo (link externo)

Vídeos relacionados

Apesar do primeiro vídeo ser teen e outro reportagem, ambos são bem didáticos e breves na explicação sobre os males do machismo.

Referências

ARAÚJO, Maria Luiza Macedo de. Sexualidade: (re)pensando a repressão. Revista Brasileira de Sexualidade Humana. Vol. 8. Nº 2. Rio de Janeiro: Sbrash, 1997.
LIMA, Vera Lúcia. História da Mulher. Revista Terapia Sexual – clínica-pesquisa e aspectos psicossociais. Vol. 6. Nº 2. São Paulo: Iglu, 2003.

Trajetória de Maria Mercedes Féa

Em registros, ela nascera em Canelli, recanto ainda hoje com 10 mil habitantes cercada de colinas no norte italiano (DEMO ISTAT). Nada indica uma figura paterna em sua vida (ou por orfandade, ou por divórcio dos pais), mas cresceu em uma família de classe média baixa, tendo concluído na Itália o ensino secundário, correspondendo ao atual Ensino Médio.

SONY DSC

Em dezembro de 1926, aos 20, embarcou rumo à Argentina onde iria morar com a mãe e irmãos. Nesta idade, provavelmente quando adolescente já teria se enamorado por algum jovem, mas provavelmente nenhuma relação tão súbita quanto teria a seguir, o que indicaria que talvez seria seu primeiro, último e único homem. No navio a vapor, é cortejada por Giuseppe Pistone que vivera dois bons anos às custas da herança do pai. Italiano da mesma pequena cidade dela, graceja no primeiro encontro e até troca a passagem dela para ser seu par – de terceira para segunda classe.

Comemoram o reveillón na Argentina, antes dele partir com razão de resolver pendências. Na verdade, foi preso por estelionato. Mês seguinte a procura e teria dado uma medalha de São Januário, reatando o romance. Nem a mãe, nem os irmãos de Maria aprovavam o casal, há indícios de que a irmã teria feito de tudo para evitar um casamento. Em uma época que os direitos femininos eram cerceados, o matrimônio era sinônimo de ascensão social às mulheres e sonho de consumo. De nada adiantou investidas contrárias, em fevereiro de 28, aos 22, ela casou-se com o rapaz de 31. Logo seguiram em lua-de-mel pela Itália. Em maio, retornaram à Argentina com ela já grávida há um mês.

02Entre agosto e setembro, decidiram se mudar ao Brasil, pois Giuseppe argumentara conhecer um parente distante que poderia lhe empregar. Maria era registrada como moça dedicada e prendada, acompanhante fiel de seu esposo. Na capital paulista, ele se tornou vendedor de salames num comércio de vinhos do familiar, justificando o emprego enquanto esperava a herança de seu pai – já consumada. Na verdade, planejava dar um golpe no tal primo.

Enquanto isso, Maria bordava um lenço com a dona do apartamento onde moravam, Maria Oliveira. A senhoria relataria depois para a polícia que Maria era histriônica com a voz imperceptível do marido ao acusá-la de traições ou ciúmes doentio. Maria percebera o golpe a ser dado pelo cônjuge e enviou uma carta à sogra.

01“Dois dias antes do crime, Maria Féa escreveu para a sogra. ‘Tenho sabido de muita coisa incorreta que o José tem feito. Soube que o senhor Pistone (o primo) te escreveu pedindo 150 mil liras que José fez acreditar possuir em tuas mãos (…) Mas nós sabemos que ele não tem mais nada a receber. O senhor Pistone mandou-me chamar e perguntou por que motivo José não ia trabalhar. O que posso esperar desse homem que não tem juízo nem capricho?'” (SANCHES).

No dia 4 de outubro do mesmo ano, a senhoria do apartamento fazia reparos na janela do apartamento perto de Maria. Giuseppe chegou antes do almoço em casa, 11h30, e após uma longa discussão, baque do corpo de sua mulher estrangulado no chão e silêncio. Ele ainda passaria a noite com o corpo na cama. Mais tarde, Giuseppe justificaria o ato por um suposto adultério.

“Para levar a mulher ao almoço, como sempre, Pistone chegou descontraidamente. Até abrir a porta. Deu de cara com um estranho na cama com sua mulher. O desconhecido foi mais rápido que ele, sentando na sua frente. Maria, sem que lhe fosse feita qualquer pergunta, gritava que nada tivera com aquele sujeito. Mas não explicava claramente o que ele fazia tão bem acomodado junto dela” (JÚNIOR). Mancharia a reputação da vítima indicando um conhecido seu da rua, um auxiliar de alfaiate que ela jamais conhecera. É que na época, casos extraconjugais inocentavam crimes de feminicídio.

01Passou dois dias até que ele comprou uma mala de couro, desnudou o corpo da cintura pra baixo, cortou as pernas de sua esposa de 1,66 m com uma navalha e fechá-la junto de roupas, tecidos e quinquilharias. Em Santos, “Arrastava uma malcheirosa mala-baú e explicava, a quem estranhasse o odor, que levava queijos e salames”.

“Seu objetivo, decidido poucas horas depois da chegada: despachar a mala no navio Massilia, com destino a Bordeaux, na França, para ser entregue a um fictício Ferrero Francesco” (GOMES). No dia 7, o odor forte e o peso de até 60 quilos da bagagem fez com que um carpinteiro abrisse a mala e, rodeado de pessoas, observasse junto da polícia o corpo da vítima que expeliu no mesmo dia o feto natimorto de seis meses, uma menina. No dia 8, Giuseppe foi preso e se notabilizou n’O Crime da Mala’.

Desde então, uma multidão de mulheres gestantes, solteiras, e principalmente noivas visitaram o túmulo de Maria em Santos. Véus e vestidos, perfumes, flores e placas em agradecimento às graças alcançadas em seu nome. A sua popularidade se deu a ponto de que, em 70, centenas celebravam missa anual em seu tributo, e nos anos 80, a Prefeitura ergueu uma capela onde ela jaz.

Seções

Introdução
1. Trajetória de Maria Mercedes Féa
1.1 Pesquisa sobre culto popular à Maria Féa – Capítulo 3 (link externo)

2. Consequências do machismo
2.1 Pesquisas sobre machismo no Brasil (link externo)
2.2 Vítimas de ‘vingança pornô’ (link externo)
2.3 Relatos da campanha ‘meu amigo secreto’ (link externo)
2.4 Relatos da campanha ‘meu primeiro assédio’ (link externo)
2.5 Casos de assédio em Santos (link externo)

3. Garantias graduais de direitos às mulheres
3.1 Guia de leis brasileiras dos Direitos da Mulher (link externo)
4. Violências contra a mulher: feminicídio e crimes íntimos
4.1 Casos famosos de feminicídio no Brasil
4.2 Casos de feminicídio no Brasil (link externo)
4.3 Casos recentes de feminicídio na Baixada Santista
4.4 Obras artísticas sobre feminicídio e machismo (link externo)

Vídeos relacionados

Referências

DEMO ISTAT. Estudos demográficos da Itália. 2014. Acesso em: <http://demo.istat.it/pop2014/index.html&gt;.
JÚNIOR, Armando Stelutto. Notícias Populares. Um crime de meio século. 1978. Acesso em: <http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0081d.htm&gt;.
SANCHES, Valdir. Revista Época. A verdade da mala. 3 out 2008. Acesso em: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI14026-15223-2,00-A+VERDADE+DA+MALA.html>.

Projeto cênico sobre Maria Féa – Feminicídio

O objetivo é criar um projeto cênico (espetáculo teatral, colagem de performance, intervenções cênicas) relacionando o caso d’O Crime na Mala’ com o feminicídio no Brasil. A proposta é de que esta obra artística, a partir do assassinato desta mulher comum e ao mesmo tempo mítica, possa estimular o público a refletir sobre a violência contra a mulher. Projeto Maria Féa

mariafea06

“Aqui jazem os restos mortais de Maria Mercedes Pistone Féa. Intercedei por nós, parentes e devotos, com a luz do vosso Espírito. Descansai em paz. 31-10-1906 – 4-10-1928”, assim diz a capela em homenagem à italiana no Cemitério da Filosofia, no Saboó. Hoje é possível lermos Maria como o mito da mulher comum de seu tempo.

Na Alemanha, Austrália e EUA, Mia. O inglês ainda provê seu nome sem abreviação, Mary. Na Arábia, Mariam. Na Rússia, Maria. Em todos esses países, correspondem aos principais nomes dos bebês ainda na atualidade (BABY CENTER). O mesmo nome foi universalizado por diversas razões. Na península Ibérica e no Brasil, principalmente, em decorrência do Cristianismo: Maria, conhecida como a mãe e filha de Deus, exemplo para devotas desta religião, também nomeada Mãe da Igreja.

Devoção tamanha que a maior basílica brasileira e provavelmente um dos maiores edifícios nacionais é em homenagem à ela, enquanto Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). Honraria que na data do encontro da imagem é feriado nacional, remetendo à sua memória. Além de que a maior celebração anual do País também é realizado à Maria: o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, com 2 milhões de pessoas em Belém (PA). Nome tão popular que há apelidos como ‘maria-chuteira’, ‘maria-gasolina’, ‘maria-vai-com-as-outras’. Há um inconsciente coletivo de que o termo Maria possa representar mulheres.

03Maria, a Féa, era imigrante italiana vinda ao Brasil. Após o Abolicionismo e a exclusão social dos negros, a nova república recebeu 1 milhão de imigrantes para mão-de-obra apenas entre 1900 e 1909. Na década seguinte, outro meio milhão (SUPER INTERESSANTE). Somente da Itália, foram 930 mil vindos num período de três décadas. Com isso, em 1920, a imigração correspondia a 5% da população brasileira. Já principal porto da América Latina, enquanto ‘esquina do mundo’, Santos tinha cerca de 40% do seu povo de 89 mil habitantes formada por estrangeiros (PIMENTEL).

Época em que a expectativa de vida ainda era baixa devido à alta mortalidade infantil, cerca de 34,5 anos. Maria ainda era moça quando veio ao País, teria 21 anos. Faleceu no caso conhecido internacionalmente como o ‘crime da mala’, inspirando livros, teses jurídicas, peça teatral e reportagens investigativas, além de comoção de gerações de mulheres. Maria morreu nas mãos de seu marido, provavelmente único homem, que a acusou injustamente de traição após esquartejá-la. Um crime bárbaro contra a família, contra uma mulher e seu bebê, pois estava grávida de seis meses. Todas essas representações estão na figura de Maria Mercedes Féa, praticamente uma lenda urbana de Santos e Região.

Seções

Introdução
1. Trajetória de Maria Mercedes Féa
1.1 Pesquisa sobre culto popular à Maria Féa – Capítulo 3 (link externo)

2. Consequências do machismo
2.1 Pesquisas sobre machismo no Brasil (link externo)
2.2 Vítimas de ‘vingança pornô’ (link externo)
2.3 Relatos da campanha ‘meu amigo secreto’ (link externo)
2.4 Relatos da campanha ‘meu primeiro assédio’ (link externo)
2.5 Casos de assédio em Santos (link externo)

3. Garantias graduais de direitos às mulheres
3.1 Guia de leis brasileiras dos Direitos da Mulher (link externo)
4. Violências contra a mulher: feminicídio e crimes íntimos
4.1 Casos famosos de feminicídio no Brasil
4.2 Casos de feminicídio no Brasil (link externo)
4.3 Casos recentes de feminicídio na Baixada Santista
4.4 Obras artísticas sobre feminicídio e machismo (link externo)

Vídeos relacionados

Referências

BABY CENTER BRASIL. Os 10 nomes de bebês mais comuns pelo mundo. 25 out 2015. Acesso em: <http://brasil.babycenter.com/a2400088/os-10-nomes-de-beb%C3%AA-mais-comuns-pelo-mundo&gt;.
PIMENTEL, Carlos. Novo Milênio. Os imigrantes no tempo do café. Acesso em: <http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0219.htm&gt;.
SUPER INTERESSANTE. República Imigrante do Brasil. 17 jan 2013. Acesso em: <http://super.abril.com.br/multimidia/republica-imigrante-brasil-683294.shtml&gt;.