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Leia Santos distribui livros e gibis na Ponta da Praia

Por Secult Santos

Projeto da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), o ‘Leia Santos – Um Incentivo à Leitura’ marca presença na Praça Luiz La Scala, na Ponta da Praia, neste domingo (29), das 10h às 14h. As ações ‘Adote um Livro’ e ‘Adote um Gibi’ oferecem obras literárias e revistas para o público retirar gratuitamente. Outra iniciativa disponível é o Baú das Letrinhas, com a distribuição de literatura infantil.

No próximo mês, as atividades do projeto têm início no dia 4, das 10h às 14h, em frente à Concha Acústica Vicente de Carvalho, localizada no Gonzaga, ao lado do Canal 3. Já no dia 12, no mesmo horário, o reboque literário faz parada na Fonte do Sapo, no bairro Aparecida.

A agenda deste verão encerra no dia 18 de fevereiro, quando o projeto de incentivo à leitura marca presença na Praça do Surfista, no bairro Pompeia, das 14h às 18h. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 3226-8000.

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Pagu será revisitada em sarau Um Autor na Ciranda Poética

Por Clara Sznifer

No próximo sábado (dia 10), às 15h30, acontece mais uma edição do sarau ‘Um Autor na Ciranda Poética’. O evento gratuito terá como tema a vida e obra de Patrícia Galvão.

O encontro tem coordenação literária de Clara Sznifer e musical de Roberto Soares. O evento também terá exibição de documentários. A sessão será na Aliança Francesa de Santos (Rua Rio Grande do Norte, 98, Santos).

 

Construção de Anfiteatro de Itanhaém avança nova etapa

Por Prefeitura de Itanhaém

Um espaço dedicado a projetos e apresentações educativas e culturais, além de seminários e palestras será inaugurado ainda em 2017. Trata-se do Centro de Capacitação do Professor – Anfiteatro da Educação, que está sendo construído na sede da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes, localizada na Avenida Condessa de Vimieiros, 1.131, no Centro.

A obra avança mais uma etapa com a colocação de piso de borracha, a pintura dos equipamentos de palco, a implantação de estrutura para a iluminação de espetáculos e do elevador destinado a pessoas com deficiência.

O prédio é construído em uma área de 1.260,45 m² e terá um espaço para bastidores, mezanino e capacidade para receber 400 pessoas. O acesso e o uso do edifício serão universais e, além disso, haverá local reservado para o estacionamento.

 

Itanhaém lança 1º Concurso A Arte do Grafite

A Prefeitura de Itanhaém, por meio da Secretaria de Turismo e do Conselho Municipal do Turismo (Comtur), lança o 1º Concurso A Arte do Grafite. O concurso visa incentivar e dar espaço aos jovens para a produção de arte contemporânea popular e ampliar os espaços institucionais na cidade na área cultural. Todas as informações sobre o concurso e os formulários estarão disponíveis no site oficial de Itanhaém (www.itanhaem.sp.gov.br/concursodegrafite).

Poderão ser inscritas obras de cidadãos itanhaenses, brasileiros, estrangeiros naturalizados brasileiros ou com visto de permanência no Brasil, maiores de 18 anos, bem como menores com a autorização expressa dos pais ou responsáveis legais na Ficha de Inscrição e no Termo de Cessão de Direitos Autorais. Cada artista participante poderá inscrever até cinco obras, com temas livres, realizadas com técnicas de pintura da Arte do Grafite. As artes também poderão ser de coautoria, ou seja, autoria coletiva.

Os melhores trabalhos serão escolhidos pela comissão julgadora no dia 23 de outubro. Com data a definir, haverá uma Cerimônia de abertura da exposição com as artes escolhidas, onde os grafiteiros receberão menção honrosa de participação. Posteriormente, as artes serão transferidas em pintura em diversos pontos de interesse turístico da Cidade. Os grafiteiros receberão todo o material necessário para executar o trabalho.

As inscrições estão abertas e seguem até 22 de outubro. O projeto da obra deverá ser apresentado por meio digital, extensão do arquivo JPG, com tamanho máximo de 4 MB e largura mínima da imagem de 1.200 pixels. Aqueles que preferirem, poderão também entregar em papel tamanho A4, junto com os formulários na Secretaria de Turismo, que está atendendo temporariamente no Posto de Informações Turísticas (PIT) da Praça Benedito Calixto, 19, Centro, de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas. Mais informações pelo telefone (13) 3426-7922.

*Prefeitura de Itanhaém

 

Livro narra vidas de mulheres que enfrentaram doenças incuráveis

As jornalistas Beth Soares e Jessika Nobre lançam no próximo sábado o livro-reportagem ‘Até o Fim’. O lançamento acontece a partir das 18 horas, na Estação da Cidadania (Av. Ana Costa, 340/Santos).

O livro conta a história de quatro mulheres que convivem com doenças consideradas incuráveis. Dona Eguimar, por exemplo, tem absoluta certeza de que São Pedro vai recebê-la com samba. “A morte desistiu de mim.” Silvia Gonçalves fala com serenidade da virada de mesa que a vida lhe deu, mas a compreende porque teve coragem – nas palavras dela – de continuar em frente.

Sandra Coutinho driblou prognósticos negativos. Teve um filho dez anos depois de ser desaconselhada por seis médicos. “Minha fé sempre encontra um jeito.” E Fabíola Perroni garante que a cruz ficou mais fácil depois que instalou rodinhas nela. “Meu nome recebeu um asterisco, o que me torna única.” A biografia destas quatro mulheres é um conselho sobre a consulta, dia-a-dia, do cardápio da vida.

Além disso, ‘Até o Fim’ relata a trajetória de dois médicos, especializados em Cuidados Paliativos, especialidade que trata do acompanhamento de pacientes que possuem enfermidades ditas incuráveis. Cuidar de maneira paliativa implica em reunir uma equipe multidisciplinar para acompanhar o paciente no final da vida, permitindo a ele enfrentar o que resta da supervisão médica sem sofrimento, com dignidade. Na Baixada Santista, nenhum hospital possui o setor de Cuidados Paliativos.

A jornalista Beth Soares explica que “muitas pessoas têm medo de falar sobre a morte. É cultural. Mas este livro não é sobre morte, como se pode pensar de início. É um livro sobre a celebração da vida.” O livro-reportagem é segunda obra da editora Ateliê de Palavras, que pertence à própria Beth e ao jornalista Marcus Vinicius Batista. ‘Até o Fim’ é fruto de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Jornalismo, na Universidade Santa Cecília (Unisanta), sob a orientação do professor André Rittes. O livro tem prefácio do jornalista André Azenha.

*Marcus Vinicius Batista

 

Guerra e amor em ‘Danielle’, 1ª ficção de Gilberto Mendes

A suspeita de submarinos alemães em nossa orla, em 1944, disparava uma sirene. Bairro a bairro, eram apagadas as luzes em postes, casas e nos faróis dos bondes. Com o blecaute, um silêncio pairava na Cidade e despertava as reflexões do compositor santista Gilberto Mendes.

As mesmas memórias de Mathias Emanuel, protagonista de “Danielle: Em Surdina, Langsam” (Editora Algol), primeira ficção do maestro de 92 anos. Ele já tinha escrito “Uma Odisseia Musical”, em 94, e “Viver Sua Música com Stravinsky em Meus Ouvidos, Rumo à Avenida Nevskiy”, em 2009.

01O personagem principal atravessa muitas experiências vividas pelo autor nas décadas de 30 e 40, principalmente, os resquícios das batalhas da Revolução de 32 e da 2ª Guerra Mundial. “Uma vez estava sentado na areia quando aviões de guerra trocavam tiros de metralhadora. Em outra ocasião havia pedaços de um navio espalhados pelas praias de Guarujá”, relembra o compositor.

Tempos em que as informações sobre as batalhas se perdiam pelos continentes, a ponto de o nazismo suscitar a admiração dos santistas. “Eram muitos panfletos e propagandas. Imagens muito vistosas do exército alemão, elogiando a recuperação do país após a 1ª Guerra”, detalha ele, na época, sem entender bem o contexto geopolítico.

Já o personagem Emanuel, mais sagaz, envolveu-se cedo como militante político. Mesmo de origem humilde, filho de estivador, aprendeu a tocar piano com uma professora particular. “Já minha maior frustração foi só começar a tocar aos 20 anos”, decepciona-se o autor. Portanto, o protagonista mal alcançava a mocidade quando animava as noites do fictício Bar São Petersburgo.

Inaugurado por dois refugiados russos, o estabelecimento localizado na Praça Barão do Rio Branco era um entre as dezenas que compunham a Boca de Santos, no Centro. Aliás, as páginas do livro traçam um roteiro do bairro com boates e bares em seu pleno auge. Seguindo o estilo de James Joyce, Mendes brinca que jamais recorreu a jornais antigos ou pesquisas para nomear os cenários da obra: “Claro que eu me recordo de lá, moro há cerca de 90 anos em Santos”.

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O herói preferia as noites boêmias com os amigos da elite (advogados, médicos) aos shows e até mesmo às companhias femininas que atuavam no meretrício. É porque seu coração já pertencia a uma menina de família judia que veio ao município, Danielle. E no vai e vem da rotina artística de Mathias, o tom desse reencontro beira a uma valsa, entre pausas e poesias. Por isso, o subtítulo do livro (do alemão, langsam significa lentidão).

Influências

Desde criança, Gilberto Mendes diz experimentar outras vidas ao se dedicar à literatura. Das fábulas de “Terramarear” assinadas por Monteiro Lobato ao realismo de Machado de Assis e Eça de Queirós, ele herdou da família a paixão pela leitura: “Meu pai era apaixonado por Eça”. Marcou-lhe profundamente a estética de Aluísio Azevedo, em “O Cortiço”. Na lista de prediletos, figuram Tchecov, Dostoiévski e Joseph Conrad. Confessa que não se dedicou aos franceses Balzac e Victor Hugo. Nada impede de lê-los em breve, já que os livros lhe servem de referência, mesmo que nem estejam guardados em casa (por causa da asma, desfaz-se de livros mais antigos, mofados).

“Danielle não foi planejado, aconteceu aos poucos, nos últimos três anos”, revela Mendes. Dependeu inteiramente de inspiração. Às vezes, demorava meses para retornar a escrever em prancheta e repassar o texto para o computador. Somente quando digitou o ponto final, aceitou mostrar as páginas à família e à editora.

*Publicado originalmente na A Tribuna em 11 de março de 2013