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Secult de Cubatão articula seminário de gestão cultural em agosto

Por Lincoln Spada

Uma parceria inédita foi concretizada pela Prefeitura de Cubatão, através da Secretaria da Cultura, com o Poiesis – Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura. Depois de percorrer várias regiões paulistas desde 2013, o Seminário Olhares da Gestão Cultural será realizado na Câmara Municipal de Cubatão no próximo 31 de agosto, das 8 às 18 horas.

Nesta edição o seminário abordará a elaboração de projetos culturais, comunicação e captação de recursos. O evento contará com palestras de Daniele Torres e Nara Almeida. A primeira mediadora é museóloga, com pós em História da Arte, Gestão da Cultura e Comunicação Empresarial. Sócia da Companhia da Cultura e do Cultura e Mercado, também é diretora do Instituto AES. Nos últimos cinco anos foi a gestora responsável pela captação de recursos do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural e do Instituto Brasil Leitor.

Já Nara Almeida é jornalista, mestranda em Comunicação (USP) e gerente de Planejamento Estratégico e Relações Institucionais da Aberje. Também fez especializações pela Syracuse University e pela CBL e extensões pela PUC-SP e pela Cátedra Unesco Memorial. Foi editora da revista Comunicação Empresarial e dos livros Cadernos de Comunicação Estratégica e Prêmio Aberje. Hoje ela coordena o Comitê de Gestão Cultural e criou os Seminários Aberje de Gestão Cultural. É fundadora do Lab de Narrativas de Gêneros e membro do Grupo de Estudos de Novas Narrativas e da iniciativa Mulheres do Brasil.

Toda a programação (gratuita) e o período de inscrições serão divulgados na próxima quinzena. O Seminário Olhares da Gestão Cultural integra o programa Oficinas Culturais do Estado de São Paulo, ação do Governo Estadual gerida pelo instituto Poiesis. Nestes quatro anos, o evento já percorreu as cidades de Limeira, Lins, Marília, Mogi das Cruzes, São Carlos, São José do Rio Preto, Sorocaba, São José dos Campos, Votuporanga, Registro e Itapetininga.

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Alex Laire ministra oficina básica de fotografia no Jardim Real

Por Lincoln Spada

Estão abertas as inscrições para a oficina básica de fotografia no Jardim Real. Trata-se de uma atividade gratuita coordenada por Alex Laire, pelo programa Oficinas Culturais do Estado de São Paulo. As inscrições seguem até o dia 29 de maio, às segundas e sextas-feiras, das 9 às 16 horas, na Associação de Moradores, Esportes, Lazer e Cultura (Amelac), na Rua Jonas Souza, 100.

Esta ação formativa é a primeira atividade cultural que mobiliza a comunidade na preparação de acolher o Centro de Artes e Esportes Unificados – CEU das Artes, espaço municipal a ser inaugurado nos próximos meses. As aulas serão de 30 de maio a 8 de junho, às terças e quintas-feiras, das 19 às 21 horas, e sábado, das 14 às 17 horas.

A oficina tem como objetivo adquirir conhecimentos que estimulem os alunos a ter um olhar diferenciado em relação ao universo que vivem, aprimorando os seus conhecimentos sobre a arte de fotografar para obter melhores resultados na prática. Os resultados dos alunos estarão numa futura exposição de artes visuais.

Alex Laire é profissional nascido e residente em Cubatão, realizando cobertura de diversos eventos artísticos do município e região. A oficina integra o programa do Governo de São Paulo via Secretaria de Estado da Cultura com o Poiesis – Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura (da capital paulista) e a Prefeitura, através da Secretaria Municipal da Cultura.

 

Na Virada Cultural, Casa das Rosas recebe exposição interativa ‘Parte a Parte’

Por Projeto Antro HH

Uma mão-gigante inflável, com cerca de dois metros de altura, totalmente interativa, que conversa com o público e com as mídias sociais. Assim será “#parteaparte” (http://antrohh/parte), obra de arte tecnologia apresentada pelo Coletivo Binômio (Costados e João Maia) para o projeto Antro Hilda Hist (Antro HH), que ficará instalada na Casa das Rosas, durante o mês de maio. A proposta é que, estimulada pelo uso da hashtag #parteaparte, a escultura interaja com o público através da declamação de versos de Hilda Hilst, efeitos sonoros, movimentos ou luzes.

A escultura inflável integrará a Virada Cultural 2017, que acontece na cidade de São Paulo, de 20 a 21 de maio, mas estará disponível à interação com o público, no jardim da Casa das Rosas (http://www.casadasrosas.org.br/), desde 6 de maio. Para interagir com a obra o público poderá utilizar no Twitter as hashtags #antrohh, #hildahilst e #casadasrosas. Desta forma, a mão-gigante emitirá versos hilstianos, sons e luzes em tempo real. Os versos de Hilda Hilst proferidos pela mão gigante durante a interação com o público são originários de outra iniciativa do projeto: um sarau online mantido por internautas.

Antro HH

Reunindo oficinas, performances e interações de arte tecnologia o projeto incentiva a inspiração em Hilda Hilst para a livre criação. Utiliza a arte-educação como garantia do acesso ao fazer artístico para crianças, jovens e adultos, além de promover encontros entre realizadores e produtores de arte. O projeto recebeu o incentivo do Programa de Ação Cultural (ProAC) do Governo do Estado São Paulo(http://estadodacultura.sp.gov.br/evento/9407/), é produzido pela Cama Leão, e conta com o apoio cultural do Instituto Hilda Hilst, Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias e Oficinas Culturais do Estado de São Paulo.

Exposição interativa para a área de convivência/ circulação de pessoas
Local: Casa das Rosas – Av. Paulista, 37 – Paraíso, São Paulo
Datas: 06, 07, 13, 14, 20, 21, 27 de maio
[ finais de semana de maio/17]
Indicação: maiores de 14 anos
Horário: 14h30 – 19h30
Site: http://antrohh.com/parte/
Em caso de chuva não haverá exposição.
Gratuito.

Cadeia Velha: Secretários se reúnem e Agem se compromete a dialogar com artistas

Por Lincoln Spada

A mobilização dos artistas sobre o futuro da Cadeia Velha ainda como centro de artes integradas rendeu numa reunião na última quarta-feira (dia 25), na sede da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem). O órgão recebeu a Câmara Temática de Cultura do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), formada pelos representantes municipais do setor.

Participaram os secretários Fábio Lopes (São Vicente), Fábio Alexandre Nunes (Santos), Paulo Roberto Fiorotto (Guarujá), Raul Christiano (Cubatão) e o diretor de gestão cultural Renato Paes (Praia Grande), além do diretor da Agem, Hélio Hamilton Vieira Jr.

A Agem enfatizou as palavras de Hélio: “Nosso objetivo é ouvir as propostas. Estamos conversando, inclusive com representantes dos movimentos, para equacionar essa questão”. Segundo artistas, o diretor já se encontrou com o atual presidente do Conselho de Cultura de Santos, Jamir Lopes. Nesse sentido, os demais artistas da região esperam uma reunião ampliada sobre o tema.

Histórico da Cadeia Velha

Desde 2015, a Secretaria de Estado da Cultura se comprometeu em audiências e anúncios públicos que a reformada Cadeia Velha de Santos continuaria como centro de artes integradas, com espaços para formação, produção e apresentações de coletivos artísticos da Baixada Santista. Foi previsto um conselho gestor com representantes da sociedade civil (até então não efetivado), como também o retorno das Oficinas Culturais no local.

Em dezembro, a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) anunciou remodelar o programa Oficinas Culturais, desativando as sedes regionais do interior e litoral paulista – entre elas, a Oficina Cultural Pagu, mantida até então em convênio com a OS Poiesis. Em 2016, durante quatro meses de uso, o instituto já preparou duas celas para artes cênicas – dança, teatro e circo. A SEC tentou repassar o prédio à Prefeitura de Santos, que não tem orçamento para assumí-lo: o custo estimado é em R$ 1,4 milhão.

Reviravolta em 2017

Neste ano, em coletiva de imprensa, o próprio secretário José Roberto Sadek recuou desse compromisso, em virtude da crise econômica que alcança o Estado de São Paulo. O anúncio é de que o prédio será gerido pela Agem (piso superior), com atividades do polo santista do Projeto Guri (piso térreo), então único programa estadual que abraçava a Zona Noroeste, sem haver conselho gestor com artistas, além de somente uso de expediente comercial.

O Conselho de Cultura de Santos repudiou publicamente as medidas anunciadas. Por sua vez, os secretários no último dia 25 definiram junto à Agem em que, pelo menos, as celas já adaptadas para artes cênicas fosse voltada aos coletivos. No piso superior, o salão Plínio Marcos também foi garantido para apresentações dos artistas.

Agenda para uso artístico

A questão levantada pelo movimento é de que a maior parte da programação ocorre fora do expediente comercial de segunda a sexta-feira, como às noites ou nos fins de semana, além de que outros segmentos querem participar do espaço, além das artes cênicas e circenses. Os secretários e a Agem já propõem de readequar o expediente aos artistas para quarta-feira a domingo.

No entanto, caberá à futura gestão do prédio – a Agem – fazer este agendamento dos espaços. “Para que o prédio permaneça aberto aos sábados e domingos, ou mesmo além do horário comercial, será preciso garantir infraestrutura (mais segurança, manutenção, organização de agenda etc.). Como ficará o custeio disso? Como serão divididas as responsabilidades nesta gestão compartilhada, inclusive as que caberão aos movimentos culturais? É por isso que nós estamos ouvindo os representantes do setor”, estuda Hélio, de acordo com site da Agem.

 

Cadeia Velha: A véspera da palavra recuada como centro de artes integradas

Por Lincoln Spada

“Adoraria que ficasse como centro cultural, mas não é objetivamente mais possível”, sentenciou José Roberto Sadek, explicitando as fotos dos últimos festivais na Cadeia Velha. Com as imagens na mão, o titular da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) estava diante de um público inesperado no último dia 10, na sede da Agência Metropolitana da Baixada Santista, a Agem.

Às 10 horas da manhã seguinte, a mesma SEC começou o mesmo anúncio como ‘boa notícia’ nas redes sociais, simultaneamente a uma coletiva de imprensa às pressas. O pequeno intervalo garante que a primeira reunião era tão somente um comunicado extraoficial. Tudo resolvido antes, independente da plateia, surpreendentemente de membros de festivais, audiovisual, literatura, teatro, circo, hip hop e fotografia. Não à toa, dos dez artistas e ativistas presentes, apenas três deram a opinião.

A maior parte das três horas do encontro foi protagonizada por gestores políticos. Sadek alegou que a SEC não tem função de manter prédios além de museus, que a pasta e as prefeituras enfrentam uma grande crise financeira, e que preferiu cortar as equipes e unidades regionais da OS Poiesis para repassar a órgãos das capitais (Assessoria Técnica dos Municípios e a própria Poiesis) as parcerias diretas com parte interessada dos demais 644 municípios para envio de oficinas artísticas.

Em seguida, citou que a Agem sairia do aluguel da Vila Mathias para assumir a casa própria governamental: a Cadeia Velha. Além disso, transferiria o único programa estadual de cultura na Zona Noroeste que atende 300 crianças, para usar o horário comercial do patrimônio cultural, otimizando recursos estaduais. Eis o rumo do polo municipal do Projeto Guri. “Ninguém nega que crianças são uma prioridade”, só que seguiu inflexível na cessão de qualquer uma das oito celas para os coletivos artísticos locais. “Não sei se é compatível o [uso do espaço do] Projeto Guri com os artistas [da Baixada Santista]”.

Casa própria de quem?

Rasgando as palavras da SEC destes últimos anos, Sadek não somente desfez os compromissos firmados do Governo Estadual diante da imprensa e das audiências públicas, como negou haver possibilidade dos artistas locais de tão somente ensaiarem ou se apresentarem nos sábados e às noites durante a semana. O mesmo tom irredutível foi adotado pelo subsecretário estadual de Assuntos Metropolitanos, Edmur Mesquita (PSDB). Ambos usaram como metáfora que a Agem e as crianças como vizinhas de um condomínio, e ambos não demonstraram publicamente haver espaço para os primeiros moradores da Cadeia Velha: a comunidade artística.

Alguns ali viram como golpe. Outros, estelionato eleitoral. Já Edmur citou duas vezes o fato como “uma oportunidade de metropolizar a cultura”, embora repetisse mais um par de vezes que “não é competência da Agem gerir um centro cultural”. Justamente alterando o uso do patrimônio que recebeu milhares de visitantes a partir de terem reconhecido como centro regional de artes integradas, conforme promessas do Governo Estadual.

Ali, só em 2016, teve o teatro de mamulengos itanhaense e o circo cubatense, a banda vicentina e o hip hop santista, do Fescete ao Curta Santos, da Sansex ao FESTA, do Mirada ao Festival Valongo. Para ele, a nova fase permitiria definir através da cultura um ponto de vista metropolitano, mas esqueceu que a própria agência e os gestores municipais não têm histórico de diagnósticos do setor. Cancelado o fórum regional de cultura no ano passado, o único evento de debates assessorado pela agência foi em 2009.

Ora desconexos, ora divergentes

Naquela noite, Edmur citou que nesse futuro iminente, seria possível fazer o tão sonhado projeto de circulação de apresentações de grupos locais, o Colar Cultural, discutido há oito anos. Mas não explicou esta utopia, pois o fundo metropolitano não prevê pagamentos de cachês artísticos, vide a Revirada Cultural da agência regional de Campinas. Daí informou que haveria uma sala eventual para exposições e apresentações a ser agendada por um assessor que dialogaria com os artistas locais, porém, exemplificou que as atrações seriam orquestras. Em geral, ligadas às prefeituras.

Entre tantas controvérsias, abordou ser contrário da criação de um já anunciado conselho gestor com a sociedade civil, em especial os artistas que frequentam a Cadeia Velha, pois não via experiências exitosas neste sentido. Então, propôs que a discussão fosse complementada noutro conselho, a câmara temática dos secretários municipais do setor na região – muitos nem conviveram com os 35 anos do prédio como centro de artes integradas.

Por sua vez, o secretário da Cultura de Santos, Fábio Nunes (PSB) propôs de que, dado o convênio das oficinas culturais entre SEC e Secult, ele buscaria aplicar esse valor em ações formativas na Cadeia Velha. Sugeriu de que cada prefeitura empregasse um funcionário para colaborar no espaço como centro de artistas integradas. Até se dispôs a tentar enviar membros da secretaria para ajudar a Agem fora do horário comercial, para os ensaios e apresentações dos coletivos locais. “Assume o prédio. Assume o prédio, cara. Por que não assume o prédio?”, foi a resposta do Sadek. Em dezembro, a Prefeitura recusou a consulta de assumir mais um patrimônio.

Culpa é da crise!

É que se o Governo de SP atravessa uma crise financeira, a Prefeitura de Santos com menor potencial de investimento, já teve redução de verba cultural este ano, de equipe técnica e ainda tem o desafio de abrir outros quatro novos centros artísticos previstos até dezembro. E o custo previsto da Cadeia Velha enquanto extinta Oficina Cultural Pagu era de R$ 1,4 milhão anual. Mesmo se isentassem luz, água ou telefone, a Prefeitura sacrificaria as economias para manter aberto o edifício estadual.

A reunião encerrou com uma rara concordância entre o Fabião e o secretário de Educação e Cultura de Cubatão, Raul Christiano (PSDB), repercutindo as demandas dos artistas presentes. Pelo menos, de que duas celas que foram reformadas e adequadas com tablado para artes cênicas e dança fossem utilizadas pelos artistas locais. Entenderam que a Agem assume o piso superior, e que uma cela seria memorial sobre o patrimônio e a Pagu, ícone dos movimentos artísticos de Santos. Além da indefinição inicial sobre a cafeteria planejada.

Mas ignorar os espaços já adaptados para atender os ensaios e produções dos coletivos regionais? O mais discreto dos gestores, o diretor da Agem, Hélio Hamilton, disse “que há legitimidade na demanda dos artistas que frequentam o prédio”. Enquanto a imprensa focava no Sadek, no Edmur e no Fabião na manhã deste dia 11, Hélio procurou a coordenação polo do Projeto Guri, buscando garantir espaços para os primeiros condôminos seguirem com o fazer cultural na Cadeia Velha.

Cadeia Velha: Saiba as ações pró-Oficinas Culturais nas demais cidades de SP

Por Lincoln Spada

O fechamento das unidades do litoral e interior paulista das oficinas da Secretaria da Cultura do Estado têm provocado campanhas e intervenções artísticas pela garantia da participação estadual na formação dos artistas. Em Santos, ainda há o foco do Centro Cultural Cadeia Velha como finalidade de artes integradas. O espaço foi reinaugurado em agosto e é um dos poucos edifícios estaduais usados pelo programa, hoje gerido pela OS Poiesis.

> Governo reúne prefeituras na terça
> Programação da Cadeia Velha em 2016

Duas rodas de conversa estão agendadas no local: uma na terça-feira (dia 6), às 19h, voltada à comunidade para articular propostas de ação; outra na quarta-feira (dia 7), também às 19h, voltada a dialogar tais ideias com gestores públicos de Santos e Região. Noutras regiões, a maioria das unidades ou estão em sedes provisórias ou em centros municipais. A proposta já anunciada pela equipe do secretário estadual José Roberto Sadek é de que as atividades no próximo ano sejam exclusivamente em prédios municipais.

De moção a sarau-protesto

O movimento cultural de Limeira é o mais ativo na defesa das oficinas culturais, hoje já instaladas em um palacete municipal. Uma campanha virtual #FicaOficina envolve a OC Carlos Gomes já percorre faculdades e lojas, resultando também em camisas e placas erguidas por centenas de artistas, ativistas e apoiadores. No último dia 29, um ato na Câmara rendeu em uma moção de autoria do parlamentar Farid Zaine (PR), buscando sensibilizar o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Uma programação artística constante no largo e pela cidade busca o apoio da população.

Na cidade de São José do Rio Preto, um vídeo-protesto reuniu dezenas na segunda-feira (dia 28), para tentar reverter que a OC Fred Navarro seja desativada. Afinal, o programa já mantém parceria direta com o município, entendendo que a oficina está dentro do centro cultural municipal. Eles também mobilizaram um abaixo-assinado, a fim de agregar 5 mil apoiadores. Em Marília, a própria OC Tarsila do Amaral protagonizou um sarau-protesto contra o fechamento no dia 1º. Já a descontinuidade da OC Altino Bondesan em São José dos Campos ganha repercussão nas redes sociais.

Prefeituras em cautela

Dividindo espaço com a Diretoria Regional de Ensino, a OC Timochenco Wehbi é tema de mobilização de seus participantes nas redes sociais, em Presidente Prudente. A Administração Municipal foi cautelosa sobre o fato: “tudo depende do repasse do governo estadual ao município, que não tem condições de arcar com eventuais oficinas hoje mantidas pelo Estado”. A reação foi oposta na Prefeitura de Ribeirão Preto. Lá a secretária de cultura Dulce Neves comemorou em assumir as atividades, hoje realizadas pela OC Cândido Portinari num andar de um condomínio.

Em Sorocaba, a OC Grande Otelo está envolvida noutra questão: a antiga sede (Fórum Velho) está em reforma há dois anos, com verba estadual inicialmente de R$ 1,7 milhão. Agora, artistas mobilizam deputados locais. Um deles foi o parlamentar Raul Marcelo (PSOL). ”Por que foi rescindido o contrato administrativo com o Poiesis?”, foi um dos questionamentos que ele enviou à Secretaria da Cultura do Estado. O movimento cultural local ainda agenda um festival com o tema “desmonte da cultura” e estudam acionar o Ministério Público sobre o caso.

Orçamentos reduzidos

Por sua vez, em São Carlos, a OC Sérgio Buarque de Holanda passou este ano a atender de 13 para 50 municípios. Mas seu orçamento caiu pela metade no mesmo período (hoje R$ 50 mil anual). Dezenas protestaram no domingo (dia 27) com passeata e abraço simbólico. Assim, por unanimidade, a Câmara aprovou uma moção apelando ao Alckmin pela garantia da oficina. Já em Iguape, não há notícias sobre o fechamento ou resistência cultural pela OC Gerson de Abreu, apenas de que o casarão sob gestão estadual também teve uma reforma iniciada em 2014 em R$ 1,5 milhão.

As Oficinas Culturais é um programa da Secretaria de Estado da Cultura que durante mais de 20 anos promove cursos de iniciação e capacitação artística nas mais diferentes áreas, com atividades oferecidas para todas as faixas etárias. Atualmente, são cerca de 15 unidades em todo o Estado que atendem mais de 400 municípios, com mais de 71 mil vagas abertas por ano nas diferentes atividades oferecidas. Mas o contrato inicial do conjunto do programa que previa R$ 33 milhões à OS Poiesis será reduzido em lei orçamentária para R$ 12 milhões em 2017.

 

Cadeia Velha: Governo de SP reúne prefeituras na terça; Santos nega assumir prédio estadual

Por Lincoln Spada

O fechamento das oficinas culturais no interior e litoral paulista será tema de reunião reservada nesta terça-feira (dia 6), na capital. Os secretários municipais das dez cidades-polos das oficinas estaduais foram sondados no último dia 28 e, convidados oficialmente no decorrer da semana pela equipe da Secretaria da Cultura do Estado, José Roberto Sadek.

Provavelmente, o secretário de cultura de Santos, Fábio Nunes, estará presente, tendo em vista que o município perderá a Oficina Cultural Pagu – atual gestora da Cadeia Velha de Santos. Sem a programação artística, está incerto o futuro do patrimônio recém-aberto. Prefeituras de Marília, São Carlos e São José dos Campos já confirmaram representantes. Em Ribeirão Preto, a administração aceitou a proposta de assumir a sede local de oficinas culturais. Em nota, o Governo de SP diz que a parceria é de garantir as ações artísticas, mas somente em espaços municipais.

> Artistas convocaram reunião paralela
> Programação da Cadeia Velha em 2016

Recentemente, a Prefeitura de Santos afirma que não foi comunicada formalmente sobre o fechamento da Cadeia Velha e da OC Pagu. “No que diz respeito à absorção pela Secult das atividades realizadas na Cadeia Velha, no caso de um suposto cancelamento dos cursos lá oferecidos, não há previsão orçamentária em 2017 para tal demanda”. A questão é que o orçamento geral do município entre 2016 e 2017 oscilou de R$ 2,5 bi para R$ 2,6 bilhões, mas a Secult terá redução ano que vem (menos R$ 1,5 milhão), o mesmo caso de outras pastas, como o Turismo (menos R$ 500 mil).

Garantia de quatro meses

Fechada por quase cinco anos, a Cadeia Velha de Santos foi restaurada com verbas estaduais de R$ 10,6 milhões. Desde 2015, o Governo Estadual garantia que atenderia a demanda de audiências e campanhas públicas por um centro de artes integradas. Mas após reabrir o edifício em agosto, o governo anunciou o fechamento da oficina cultural e o rumo incerto do patrimônio nacional. Segundo estimativas, uma oficina cultural custa, em média, menos de R$ 1 milhão. Desde sua reabertura, o local recebeu cerca de 15 mil visitantes.